São Paulo, 20 (AE) - O monitor Reinaldo Oliveira Schiavi foi o único dos quatro monitores feridos na rebelião do sábado a dar entrevista hoje. Contratado como educador na Febem, ele é cético sobre o objetivo de seu trabalho. "Ali ninguém consegue educar ninguém", disse na saída do 81º DP, onde prestou depoimento. "Eu não consigo, ninguém consegue, não dão condições para fazer isso." Schiavi estava com a mão enfaixada. Um dos menores teria fechado uma porta contra seu braço. Segundo o Movimento Nacional dos Direitos Humanos e o padre Júlio Lancelotti, o educador é um dos acusados de espancar menores no Cadeião Santo André, onde trabalhou por dois meses, no fim do ano passado.
Schiavi nega a acusação e disse que nunca foi alvo de sindicância. "Há muito tempo isso foi erradicado da Febem." Segundo Lancelotti, o secretário Edson Ortega não só prometeu que iria demiti-lo como disse que isso já deveria ter sido feito. Talvez isso não seja necessário: há oito anos na Febem, Schiavi - conhecido pelos menores e colegas como "Ortega" - disse que pensa em abandonar o emprego. Não por causa do motim de ontem. "Rebelião é uma coisa corriqueira para a gente", afirmou. O monitor confirma que os funcionários já sabiam que a rebelião estava programada para o sábado. "A gente sabe que não é a última."