Monge budista combate a superstição
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de julho de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Kyohaku Correia, 33 anos, bispo do Hompoji, templo do chamado budismo primordial moderno em Londrina, considerado o primeiro monge brasileiro formado no Japão, dedicou boa parte dos seus 10 anos de estudos naquele País para pesquisar a visão religiosa das superstições, fenômeno universal que a mídia resgata com maior destaque quando a sexta-feira é dia 13.
Neste mês de julho, a data foi tema de uma palestra ministrada por Correia, que reuniu cerca de 100 interessados de vários municípios da região no templo cinquentenário, um dos mais antigos do País, localizado no Jardim Igapó (zona sul). A base das superstições é a ignorância. Quando se conhece a origem histórica de cada ato considerado inadequado para o supersticioso, percebemos que, na verdade, são formas mistificadas de controle e proteção ligadas a diferentes culturas, explica o religioso.
Passar por debaixo de uma escada, deixar o chinelo emborcado no meio da sala ou cortar as unhas à noite são coisas arriscadas. Era preciso convencer as pessoas disso e a forma usada pelas culturas foi a superstição, exemplifica. Na visão do monge, a superstição é um fenômeno nefasto à sociedade. Abala a fé e a crença no valor da espiritualidade e pode evoluir até a magia negra.
O budismo conta até mesmo com uma prece que combate a superstição, considerada uma crença generalizada e por isso inimiga da fé em um Deus unificado. Tal qual o vento que corre livre o céu libertai-nos de todos os males e transtornos, conduzindo-vos à terra pura de Buda são as palavras usadas na oração que distancia o fiel das crendices.
Os 12 templos da denominação espalhados pelo País contam com cerca de 10 mil adeptos. Na soma das correntes budistas, são cerca de 1 milhão de brasileiros (a metade formada por nikkeis). O dia 13 é considerado uma data especial para a religião (nascimento do Mestre Nitiren), que tem programação própria na data todos os meses.
O mal existe dentro de cada pessoa e pode se manifestar de várias formas, inclusive através da superstição. Nós temos o papel de engrandecer a virtude e fortalecer espiritualmente o fiel, avalia o monge.
Os ensinamentos budistas pregam a religiosidade e o realismo, para viver no mundo da causa e efeito, que pelo trabalho da fé seria um humilde merecedor daquilo que recebe.
O budismo moderno está em campanha para expandir o número de adeptos e a sexta-feira será o dia para a formação de novos fiéis. Além de atividades para não budistas e com conteúdo laico como a palestra de sexta-feira, os budistas da ramificação irão ministrar pela primeira vez uma catequese da doutrina na cidade. As aulas começam na segunda quinzena de agosto e serão gratuitas. Segundo o monge Correia, a duração deve ser de aproximadamente três meses. Os interessados podem ligar para o templo e confirmar presença. O telefone é (43) 341-7145.
A celebração dos 750 anos do mantra Odaimoku, entoado pela primeira vez na manhã do dia 28 de abril de 1253 pelo Mestre Nitiren Shonin Daibosatsu, considerado o mantra dos mantras, também está sendo usado para propagar a doutrina no País. As comemorações feitas a cada 50 anos prosseguem por mais dois anos e estão sendo organizadas caravanas para levar os fiéis até o Japão ao custo mínimo de US$ 2,5 mil, que inclui a participação nas principais celebrações.
Outro evento que ajudou a propagar o budismo este ano foi a visita do 13º sumo pontífice (equivalente a papa) Nozaki Nitijyou Shounin, que esteve viajando pelo País até a última semana de junho.


