Monções, SP, 06 (AE) - Ainda traumatizada pelo assassinato, numa emboscada, do prefeito Fernando Ramirez (PSDB) e da prisão do sucessor dele, Edson Luís Vieira (PFL), acusado de ser o mandante do crime, Monções, no noroeste paulista, elege domingo (12) os novos prefeito e vice-prefeito. A disputa eleitoral, normalmente acirrada, tem sido tranquila, mas os dois concorrentes tentaram impugnar a candidatura um do outro.
A Justiça Eleitoral só confirmou a candidatura do ex-prefeito Antonio Honorato Sobrinho (PSB) a menos de um mês da eleição, e a do presidente da Câmara e prefeito em exercício, Jesus José Francisco (PFL), no dia 26, a duas semanas do pleito. O terceiro candidato, o ex-prefeito José Mário Saraiva (PTB), desistiu da disputa no dia 30. "É por motivo de saúde (diabetes)", explica, prometendo permanecer neutro. "Jesus e Honorato são meus amigos." Os dois candidatos prometem uma campanha sem críticas ou ofensas. Eles têm visitado eleitores na área rural e localidades vizinhas e prometem fazer campanha pelo telefone com os que residem em centros maiores, como São José do Rio Preto, Campinas, Americana, Sumaré, no interior de São Paulo
e São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP) ou São Paulo.
A cidade tem 2,4 mil habitantes e 2.114 eleitores. A abstenção deve ser alta, uma vez que cerca de 400 eleitores saíram de Monções para trabalhar em outras cidades, mas não transferiram os títulos.
Os candidatos estimam gastar na campanha R$ 5 mil cada um. Jesus, dono de supermercado, cita como realizações da gestão o fato de estar pondo em dia o pagamento do salário dos 91 servidores (o atraso era de até cinco meses), a construção de mata-burros (pontes de traves espaçadas, destinadas a vedar o trânsito de animais), reformas na praça central e na quadra de esportes e a redução da dívida municipal. "Vou incentivar a instalação de indústrias", disse. Dono de uma processadora de sucos, Honorato promete reativar a padaria municipal, a horta comunitária e a fábrica de blocos da cidade, além de promover reformas em prédios públicos e instalar um parque industrial.
A disputa eleitoral não apaga, porém, o baque sofrido pelos moradores com o assassinato do prefeito, o único crime de morte registrado em Monções nos últimos 30 anos, segundo o lojista Luís Genaro. O comerciante João Torres da Cruz, que era delegado do PSDB, diz ter abandonado a política depois do episódio. "O crime chocou a cidade, que é pacata e só se agitava durante as campanhas políticas", afirmou.
Ramirez foi morto em 22 de setembro, com oito tiros. Acusado de ser o mandante do crime, Vieira, que assumira o cargo
foi preso em 16 de dezembro e substituído pelo presidente da Câmara, Antonio Fagundes Jacó (PSDB), até 1º de janeiro. Nessa data, Jesus iniciou o mandato como interino, na qualidade de novo presidente da Câmara. Por ser escrivão, Vieira aguarda julgamento no presídio da Polícia Civil, na capital.

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