Monarquistas australianos vencem referendo
Sydney, 06 (AE-AP) - A maioria dos australianos decidiu neste sábado (06) manter o atual status nacional do país, monarquia constitucional sob a coroa britânica, derrotando em plebiscito uma proposta de transformar a Austrália numa república.
O "não" recebeu 54,22% dos votos, enquanto o "sim" teve 44 87%.
"O povo australiano deixou bastante clara sua opção, rechaçando categoricamente a proposta republicana", declarou o primeiro-ministro John Howard. "O governo agora concentra seus esforços nos assuntos que afetam diretamente a vida dos australianos."
O líder da oposição trabalhista, Kim Beazley, admitiu a derrota da proposta, mas acusou Howard e o governo de sabotar o plebiscito para favorecer a opção monarquista. "A república ressurgirá de suas cinzas, num referendo melhor formulado, sob um futuro governo trabalhista", assegurou.
Os trabalhistas qualificaram de uma manobra do governo a inclusão de outra questão na mesma votação, para aprovar ou rejeitar um preâmbulo à Constituição, definindo "valores e aspirações da nação". Também dividiu os eleitores republicanos a fórmula proposta para eleger o presidente - por consenso entre o primeiro-ministro e as duas câmaras do Parlamento - e as funções que lhe caberiam, de apenas ratificar as leis.
Pela proposta levada à consulta popular, o presidente não poderia tomar nenhuma decisão sem o consentimento do primeiro-ministro. O mandato seria de cinco anos.
Pelas regras vigentes, o governador-geral - que representa a coroa britânica no país, mas tem poderes apenas honoríficos - nomeia formalmente primeiro-ministro o vencedor das eleições legislativas.
A votação evidenciou as diferenças entre as grandes cidades do país - onde a opção pela república superou os 50% - e a região rural, na qual apenas 37% dos eleitores queriam que o país se livrasse do trono britânico.
Em Londres, rainha Elizabeth II disse hoje que "respeita e aceita" o resultado do plebiscito australiano, que a mantém no posto de chefe de Estado do país. "Sempre deixei claro que o futuro da monarquia na Austrália é uma questão a ser decidida pelo povo australiano, por meios democráticos e constitucionais", declarou a monarca, por meio de uma nota oficial divulgada pelo Palácio de Buckingham.
A Constituição australiana prevê que ela só pode ser modificada ou emendada mediante a aprovação da maioria dos eleitores. O dispositivo afasta toda a possibilidade de um eventual Parlamento dominado pelos republicanos abolir a monarquia.
Considerada a maior ilha do mundo, com 7.682.300 quilômetros quadrados, a Austrália tem 18,5 milhões de habitantes, dos quais 9.698.768 votaram no plebiscito de sábado. O país é independente desde 1901, mas, como muitos países da Comunidade Britânica, ainda reconhece como chefe de Estado o ocupante do trono da Grã-Bretanha.





