Phnom Penh, 08 (AE-REUTERS) - O ex-líder militar do Khmer Vermelho Ta Mok, preso no sábado na selva do norte do Camboja, declarou-se hoje (08) inocente das acusações de genocídio que lhe são imputadas.
Chamado de "Açougueiro" por sua crueldade, Ta Mok, de 72 anos, disse que toda a responsabilidade pelo assassinato de 2 milhões de cambojanos durante o reinado do terror do Khmer Vermelho, entre 1975 e 1979, é de Pol Pot, morto no ano passado, e de colaboradores como Khieu Samphan e Nuon Chea, que se renderam em dezembro.
O chanceler do Camboja, Hor Nam Hong, descartou hoje a possibilidade de os líderes do Khmer Vermelho serem julgados por um tribunal internacional para crimes de guerra. Segundo ele, a Constituição cambojana estabelece que nenhum cidadão pode ser deportado para outro país se não houver acordo de reciprocidade.
No entanto, peritos em questões jurídicas afirmaram que as leis cambojanas não protegem os acusados no caso de um eventual processo por parte de um tribunal das Nações Unidas.
O chanceler cambojano partiu hoje para Nova York, onde discutirá com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a eventual criação de um tribunal internacional. Uma equipe de peritos da ONU recomendou a constituição de um tribunal em um país asiático neutro para julgar cerca de 30 líderes do Khmer Vermelho. Mas as autoridades cambojanas afirmam que eles deverão comparecer a uma corte nacional.

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