Porto Alegre, 23 (AE) - A taxação do trigo comprado fora do Mercosul pelos moinhos brasileiros está permitindo aos agricultores argentinos aplicarem sobrepreço no produto exportado para o País. A reclamação foi apresentada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Antenor de Barros Leal, ao ministro da Agricultura Francisco Turra em seminário na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Conforme Leal, o governo brasileiro está "protegendo" os produtores argentinos ao cobrar 13% de Imposto de Importação nas compras de trigo de terceiros países, além de 25% sobre o valor do frete como Taxa de Marinha Mercante.
Ele explicou que o produto da Argentina custa para as indústrias cerca de US$ 125 FOB a tonelada mais US$ 15 a US$ 20 de despesas com frete, enquanto o grão norteamericano sofre um acréscimo de US$ 45 a US$ 50 por tonelada (sobre um preço FOB de 120 a tonelada) em função das taxações. "Este custo poderia baixar se caíssem os impostos", disse o presidente da Abitrigo.
O fim da taxação justifica-se ainda, na opinião dele, pelo fato de que os argentinos não têm produção suficiente este ano para abastecer todo o mercado brasileiro, que terá que fazer compra em outros países.
A safra de trigo argentino caiu de 14,5 milhões de toneladas em 1997/1998 para 10,5 a 11 milhões de toneladas este ano, gerando um excedente exportável de apenas 6 milhões de toneladas. Deste montante, 1,5 milhão são destinados a terceiros países e 4,5 milhões ao Brasil, que terá necessidade de importar mais de 8 milhões de toneladas em 1998, explicou.

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