Moinho da região pode abrir unidade em Londrina
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Prefeitura de Londrina anunciou ontem a vinda de uma empresa do ramo alimentício para a cidade ainda este ano. Mas o nome foi mantido em sigilo. O clima de mistério - ou a alegada cautela - foi adotado nas declarações do prefeito em exercício, Luiz Fernando Pinto Dias (PT), e do presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), Mauro Viecili, durante a solenidade que oficializou a entrega de 13 terrenos públicos à iniciativa privada (leia em Política). No caso, o empreendimento não revelado deverá contar, segundo o próprio Executivo, com a doação de um terreno de 11 alqueires de terras próximo à Universidade Tecnológica Federal (UTF), na Zona Leste. Conforme a FOLHA apurou, trata-se do Moinho Globo Alimentos SA, há 53 anos instalado em Sertanópolis. A presidência da empresa nega o fato, mas admite que, ante uma política de subsídios, não descartaria o negócio.
O anúncio do nome seria feito ontem de manhã mas, de acordo com o prefeito, na véspera teria vindo o pedido de sigilo pelo grupo. Mesmo assim, Luiz Fernando adiantou que serão gerados entre 400 e 450 empregos. A empresa está vendo questões de financiamento, mas isso (a divulgação do interessado) vai acontecer assim que finalizarmos os detalhes e a proposta puder ser levada à Câmara de Vereadores, em meados de fevereiro, disse.
Perguntado sobre o nome da indústria alimentícia, Viecili afirmou apenas que seriam, de início, investimentos de R$ 10 milhões e o pedido de terras para a efetivação do negócio. O importante é a empresa ou o nome da empresa?, questionou, depois de afirmar que o interesse no sigilo era do próprio empresário. Mesmo em caso de interesse público? A divulgação não é de interesse público, eximiu-se. E garantiu: A região Leste já está sabendo quem é o interessado.
O presidente do Moinho Globo, Mário Vitorelli, admitiu o assédio por emissários de Londrina. São pessoas que vêm e nos perguntam se queremos nos transferir, mas, por ora, nossa prioridade é Goiânia (GO), disse, referindo-se a uma unidade de processamento de farinhas que já teria equipamentos comprados.
Vitorelli assegurou não haver nada de concreto sobre planos da empresa para Londrina. Mas, se houver disponibilização de área, por exemplo, isso não impediria uma eventual ida. Teríamos de adaptar planos.
O empresário alegou dificuldades em uma eventual transferência. E comentou que, em termos de custo, o que se pode é criar uma unidade nova. E para Londrina isso é viável? Assim como para qualquer outra unidade do Norte do Paraná, desconversou.
Vitorelli deixa visível o descontentamento pela retribuição do poder público de Sertanópolis. O Moinho arrecada sozinho 70% do ICMS local e emprega 190 pessoas, mas faz uns 25 anos que reclamamos da qualidade da energia elétrica da região e ninguém faz nada. Sobre a qualidade da energia de Londrina, afirmou: Tanto a daí, quanto a de Cambé, são de primeiro mundo.
O viés de negociação, contudo, parece já entremear as conversas com os possíveis emissários. Seria preciso de 4 a 5 anos para iniciar o empreendimento, e de 5 a 6 anos para concluir. É impossível gerar 400 empregos de imediato, sentenciou o empresário.


