Mogno ilegal encalha no Rio Xingu
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de março de 2002
Carlos Mendes<br>Especial para a Agência Estado 
Belém (PA) Parte das duas mil toras de mogno retiradas ilegalmente de reserva indígena e de área de preservação ambiental no município de Altamira, no Sudoeste do Pará, encalhou nos Rios Xingu e Iriri, que baixam de nível nesta época do ano. Segundo técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que comandam o transporte da madeira até a cidade de Altamira, o produto está avaliado em R$ 4 milhões.
A previsão de chegada da madeira em Altamira era de dois meses, mas com o encalhe das toras, a avaliação é de que isso poderá ocorrer somente no segundo semestre. A estimativa é de que 15% do mogno ficará retido entre as pedras dos dois rios até o começo de 2003, quando o nível das águas voltará a subir.
Segundo o chefe da operação, Adelson Cordeiro, o transporte das toras é demorado porque, além do baixo nível dos rios e de grandes pedras que dificultam a navegação, o trabalho está sendo feito por barcos. Cada barco tem capacidade de rebocar no máximo até 60 toras.
Cordeiro disse que o Ibama já cumpriu sua parte na operação, que era retirar da floresta o mogno apreendido, medir as toras e conferi-las. Agora, torce para que o nível das águas dos rios não continue baixando para que a madeira chegue à Altamira em junho, numa viagem de 200 quilômetros. Naquela cidade, a madeira ficará sob guarda da Justiça Federal, que deverá nomear um fiel depositário.


