Campinas, SP, 11 (AE) - A Câmara de Vereadores de Mogi Mirim aprovou ontem (10) à noite, por 11 votos contra 5, a instalação do processo de impeachment contra ao prefeito Paulo Silva (PSDB). O motivo, segundo os parlamentares, é uma dívida contraída há 12 anos, no valor de R$ 1,8 milhão. O débito, ainda pendente, refere-se à desapropriação de um prédio, onde passou a funcionar o hospital municipal, desativado há quatro anos.
A proposta de impeachment foi apresentada pelo advogado Roberto Chiminaso, que defende o ex-proprietário do imóvel Nelson Alaite Júnior. O caso será analisado pelas comissões de Justiça e Redação e de Finanças e Orçamento. Os dois grupos, compostos por cinco vereadores cada, terão 30 dias para concluir o trabalho. Em seguida, o pedido de cassação será submetido à votação, que definirá o futuro do prefeito.
A dívida que motivou o pedido de impeachment foi contraída na gestão do ex-prefeito Luiz Neto (PSDB). "A prefeitura montou o hospital, mas até hoje não pagou o valor correspondente à desapropriação", disse hoje o presidente da Câmara, Milton Dante (PMDB). A unidade, segundo ele, contava com vinte leitos, mas foi desativada por falta de recursos.
"É um despropósito, porque não fui eu quem fez a dívida", disse o atual prefeito. Segundo ele, cassar o seu mandato não resolverá a falta de recursos enfrentada pela administração municipal. "Quando assumi, a prefeitura já acumulava uma dívida de R$ 30 milhões", afirma. Para Silva, seriam necessários pelo menos 30 anos para saldar todos os débitos.
O prefeito alega que o problema da prefeitura é de falta de caixa e não de improbidade administrativa. Para Silva, caso seu mandato seja cassado, quem assumir o cargo também não conseguirá saldar a dívida. "O vice-prefeito, o presidente da Câmara ou até mesmo um interventor também não conseguirão pagar o débito porque falta dinheiro", completou.
Embora concorde que o caso é de ordem financeira e não política, o presidente da Câmara diz que o prefeito não agiu corretamente. "Ele deveria ter procurado o ex-proprietário do prédio para uma negociação", disse. "A prefeitura deveria resolver o problema através de um acordo, parcelando a dívida", completou.

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