Roma - As moedas que os turistas jogam na popular Fontana di Trevi serão destinadas em sua totalidade à caridade, afirmou o município de Roma, ao proibir a atividade dos ''pescadores'' que cada noite entravam no monumento.
Desde ontem, os funcionários da prefeitura são os únicos autorizados a coletar as moedas, cujo valor pode chegar em plena temporada turística a mais de 500 euros diários.
A medida foi adotada pelas autoridades depois de uma campanha na imprensa que denunciava a atividade de um grupo de pessoas que cada noite entravam no monumento para fazer uma coleta lucrativa.
Entre eles figura um pitoresco personagem conhecido como ''D'Artagnan'', um desocupado romano que realizava seu trabalho ajudado por dois acólitos e que ganhou o apelido graças a sua rapidez na coleta de moedas, utilizando um bastão com um ímã na ponta.
Segundo a tradição, os visitantes da ''Cidade Eterna'' devem lançar uma moeda às águas da Fontana di Trevi, que data do século XVII, se desejam retornar algum dia.
Agora ''D'Artagnan'', pseudônimo que corresponde a Roberto Cercelleta, está enfurecido contra o município e exige uma casa e um emprego digno. Afirma que com seu anterior ''trabalho'' ganhava cerca de 1.000 euros mensais, enquanto que as autoridades consideram que essa cifra era muito superior.
Cercelleta, que se dedicou durante cinco anos a seu peculiar trabalho de ''limpeza'' da fonte, se amparava em uma sentença do Supremo Tribunal de 1994, na qual se afirmava que as moedas careciam de um proprietário legítimo e são do primeiro que as encontrar.
Até agora, os operários municipais se ocupavam de esvaziar a fonte e coletar as moedas um dia por semana, às segundas-feiras, e o dinheiro obtido se destinava à caridade através da associação católica Cáritas.
Desde ontem, essa coleta passou a ser feita de forma diária. Para dissuadir a possível ''concorrência'' se reforçará a vigilância policial e a partir de setembro próximo serão instaladas câmaras para manter a fonte controlada 24 horas por dia.

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