Teerã, 28 (AE-ANSA) - A imprensa moderada e vários representantes da corrente reformista iraniana pediram hoje (28) ao governo de Teerã que esclareça a onda de mortes de opositores e intelectuais dissidentes ocorrida no país há poucos meses.
O pedido dos moderados foi feito depois que o presidente reformista, Mohammad Khatami, vinculou a série de assassinatos que estremeceram o país no final de 1998 com as recentes manifestações estudantis em Teerã.
"É claro que por trás dos tumultos houve uma tentativa de desviar a atenção da investigação sobre a cadeia de assassinatos" de dissidentes e intelectuais, afirmou ao jornal Khordad o irmão do presidente, Reza Khatami, que ocupa os cargos de vice-ministro da Saúde e de líder da Frente de Participação.
"Passaram-se meses desde os assassinatos de dissidentes e intelectuais, e os responsáveis ainda não foram descobertos, enquanto que bastaram 48 horas para identificar os responsáveis pelas desordens", declarou Reza Khatami.
Os jornais "khatamistas" publicaram ainda uma declaração assinada por 80 representantes da oposição nacionalista e islâmico-liberal, tolerada pelo regime, na qual eles pedem "explicações oficiais" sobre o caso Majid Sharif, intelectual dissidente cuja misteriosa morte, em novembro de 1998, foi atribuída por autoridades a um ataque cardíaco.
Os familiares de Sharif sempre rechaçaram esta versão dos fatos, e alguns periódicos chegaram a acusar os serviços secretos iranianos.
Em dezembro, o presidente Khatami havia instituído uma comissão para investigar a morte de um casal de membros da oposição nacionalista e de um casal de escritores dissidentes.
Em janeiro, os serviços secretos admitiram a responsabilidade de "agentes desviados" nesses homicídios, mas um desses agentes, o ex-vice-ministro Said Emami, morreu na prisão dois meses atrás.
As autoridades falaram de suicídio, versão posta em dúvida por muitos jornais.

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