Modelo é principal assunto em Cannes Do enviado especial Luiz Carlos Merten
Cannes, França, 14 (AE) - Até hoje (14) de manhã, o assunto dominante no 52º Festival de Cannes era a performance da top model Adriana Karambeu na noite de inauguração do evento. Adriana, que veio do antigo Leste Europeu, entrou para o livro Guinness de recordes como a modelo que tem as pernas mais longas do mundo. Longas e bem torneadas, dois pilares que sustentam um corpo privilegiado. Ela mostrou tudo isso ao recriar, na porta do palais, a célebre cena em que Marilyn Monroe deixa à vista suas calcinhas em O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder. O reinado de Adriana durou um dia e uma noite. Pode haver muitas celebridades aqui em Cannes, mas stars, mesmo, só Sean Connery e Catherine Zeta-Jones.
Eles estão aqui para a homenagem a Connery, que recebeu um troféu especial por sua carreira na noite de hoje. De manhã, passou o filme dos dois, Armadilha, dirigido por Jon Amiel, numa sessão exclusiva para jornalistas. Logo em seguida, hove a coletiva. Connery e Catherine chegaram 20 minutos atrasados, o que não é frequente aqui em Cannes.
Entraram na sala sob forte esquema de segurança. O filme é um thriller romântico na linha de Ladrão de Casaca, de Hitchcock. Connery faz o ladrão cooptado por Catherine para uma grande operação na Malásia. O roteiro proporciona algumas reviravoltas e surpresas, nada suficiente para provocar entusiasmo. Armadilha é pura banalidade hollywoodiana. Não quer dizer nada, o que fica ainda mais claro num festival como este, onde os filmes ainda não estão bons (o melhorzinho, por enquantro, é Wonderland, de David Winterbottom), mas certamente querem dizer alguma coisa. Por mais bobo que seja o filme, e é, é um prazer olhar Connery e Catherine.
O papel dele tem vestígios de James Bond - um 007 que assume seus mais de 60 anos. Connery admite que até hoje é perseguido pela fama do agente secreto que interpretou seis vezes. Mas diz que isto não pesa: "Consigo dormir à noite", disse, rindo. Ele
que já trabalhou com grandes diretores, como Alfred Hitchcock (em Marnie), hoje produz seus filmes. Não tem explicações racionais para as escolhas que faz.
"Produzo os filmes que gostaria de ver." O astro, que já beijou algumas das mulheres mais belas e desejáveis do mundo (a ex-bondgirl Claudine Auger estava hoje aqui para a homenagem a Connery), definiu Catherine como uma "grande beijoqueira". Ela é.
Apesar de todo o carisma de Connery, as melhores cenas do filme são dela. A personagem é uma acrobata do crime. Equilibra-se, no sentido metafórico, numa corda bamba entre os dois lados da lei. E equilibra-se mesmo num fio numa cena muito bem filmada. Catherine explicou que dispensou dublê. "Tenho anos de formação como bailarina clássica e pratico tai-chi." O diretor Amiel, reduzido a mero figurante na entrevista, aproveitou para dizer que imprimiu à personagem essas características justamente por causa de Catherine. "Não poderia perder a oportunidade", disse.
Perguntaram a Catherine se ela não tinha inveja de Connery. Afinal, os homens têm vida mais longa que as mulheres como símbolos sexuais. Ela discordou. "Ao ver Catherine Deneuve chegar hoje ao palais, convenci-me de que a mulher pode resistir ao tempo mantendo toda a sua beleza e fascínio." Catherine foi um ídolo da sua infância e adolescência. Subir as escadarias do palais, onde a eterna belle de jour é rainha é motivo de excitação para Catherine. Mas ela anuncia que seu próximo filme é um remake de uma obra estrelada por uma antiga bondgirl. Ela vai refazer o policial futurista A Décima Vítima, originalmente interpretado por Ursula Andress.





