Modelo de crédito rural tem os dias contados, dizem especialistas
São Paulo, 19 (AE) - O crédito rural está com os dias contados, segundo diagnóstico feito hoje pelo ex-secretário da Câmara de Comércio Exterior (Camex) José Roberto Mendonça de Barros. Modelo de execução de política agrícola e instrumento de estímulo à produtividade, o crédito rural perdeu a sua função, afirmou.
A inadimplência elevada e as sucessivas renegociações para a prorrogações do pagamento das dívidas fizeram com que o setor financeiro privado se retirasse dessa modalidade de financiamento, afirmou. O volume de recursos disponíveis para a atividade agrícola fica menor e os produtores gradativamente têm de recorrer a alternativas de financiamento.
O prognóstico negativo em relação à participação do governo no destino da agricultura nacional foi feito por Barros durante os debates do 2º Seminário de Conjuntura Agropecuária, promovido pela AGÊNCIA ESTADO e MB Associados, cujo tema foi As Condições de Plantio da Safra 1999/2000". O professor de Economia da Universidade de São Paulo Guilherme Silva Dias disse que dez anos de crise nas relações com o sistema financeiro foram suficientes para condenar o crédito rural à extinção.
"O Banco do Brasil não inovou, nenhuma outra instituição está investindo na carteira de crédito à produção nem os agricultores sugerem fórmulas mais criativas de financiamento."
A falência do crédito rural e as condições adversas à atividade este ano deverão fazer com a área de plantio na próximo ano agrícola seja 3% menor, calcula o professor da USP. Isso será consequência da redução de em torno de 9% do poder de compra do agricultor, além da queda da oferta de crédito ao setor, em torno de 12%. Isso, segundo Dias, não deverá comprometer o volume da próxima safra.
Os ganhos de produtividade alcançados pelos produtores deverão garantir a repetição do resultado deste ano. Isso deverá ocorrer mesmo com a queda do uso de fertilizantes nas lavouras que começam a ser cultivadas em setembro, estimada em 10%, e desde que o clima seja favorável.
Dias acredita que o setor deverá passar por um rigoroso ajuste, resultado das condições adversas enfrentadas pelos produtores rurais. Mas o professor prevê situação favorável de mercado para algumas commodities. "Tudo depende do comportamento das economias de países consumidores e da recuperação do poder aquisitivo da população brasileira."
A adoção de novas tecnologias e o consequente ganho de produtividade garantiram a sobrevivência da maioria dos produtores. Os principais beneficiados pelo mercado no próximo ano agrícola deverão ser os produtores de algodão, arroz sequeiro e de trigo.Por Isabel Dias de Aguiar ATENÇÃO EDITOR: A AE dispõe de foto gratuita do evento. Basta soliticar pelo código D002.





