Moda brasileira feita por brasileiros
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de julho de 2002
Karla Matida<br> Enviada a São Paulo 
Terminou ontem à noite em São Paulo, a edição verão 2002/2003 da São Paulo Fashion Week. Seis dias e 38 desfiles depois, o balanço é positivo. Os números de público ainda não foram fechados, mas a estimativa é de que pelo menos 10 mil pessoas tenham passado a cada dia pela Fundação Bienal no Parque do Ibirapuera. Foram distribuídos cerca de 57 mil convites para ver o que se chamou de ''moda brasileira feita por brasileiros''.
Mesmo com o aumento na cota de desfiles (na edição passada foram 'apenas' 26), os organizadores conseguiram fazer com que os atrasos que já eram praxe diminuíssem. Muitos convidados acostumados a esperar mais de uma hora acabaram perdendo alguns desfiles que atrasaram em média 30 minutos.
Na sexta-feira, sete grifes apresentaram suas coleções num mix de moda praia, masculina e feminina. O primeiro desfile foi o de Fause Haten que aconteceu no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE). O sol quente surpreendeu a todos, principalmente os convidados estrangeiros cerca de 50 jornalistas e compradores , que ficaram surpresos com o calor em pleno inverno.
A coleção feminina de Fause Haten aposta nos tons de pele e na transparência. Quando quer ganhar corpo vai de couro de cobra dourado.
Sem patrocínio, Rodrigo Fraga fez sua estréia na ''raça''. Não por acaso, sua coleção se chama Liberdade. Sem ter que prestar contas ou se prender a tendências, Rodrigo apresentou seu desfile de moda masculina com muita alfaitaria e estampas que remetem à liberdade: pés descalços, alguém gritando, pássaros em movimento.
Outra estréia foi a da grife pernambucana-------- Movimento, de moda praia. A inspiração vem do folk dos anos 70 com um olho nas festas de Pernambuco, que a estilista Cristina da Fonte define como celebração da alegria sem fronteiras.
Paraense de nascença, cearense por opção, Lino Villaventura é cidadão do mundo da moda. Ao final do seu desfile, dois italianos se levantaram e puxaram as palmas. Devem ter ficado impressionadíssimos com o trabalho requintado nos tecidos.
Outro cidadão do mundo é o homem da Forum, que chega na passarela pronto para outra viagem. Nada das alegorias do desfile feminino da grife, mas ainda sim, o ziriguidum impera na estampa.
Ao som do punk rock, Carlota Joaquina segue com os modelos confortáveis até o último fio Amni. Os aviões marcam presença no cinto de penduricalhos.
E o mundo da moda, é claro, não é só glamour. Numa edição passada da SPFW, os modelos negros de São Paulo armaram o protesto 'apagão fashion'. Reivindicavam presença nas passarelas o que até então era raríssimo. Coincidência ou não, no último desfile de sexta-feira, a Cavalera homenageou a beleza negra e nomes da cultura black mundial. De Tony Tornado que fez uma aparição vibrante na passarela a Diana Ross. Foi uma festa ''soul'' com todos os elementos: música, cabeleira black power e até o dourado dos colares dos rappers americanos. Suíngue na veia.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento


