São Paulo, 17 (AE)- A Mococa S/A Produtos Alimentícios está fazendo um caminho inverso ao da grande maioria das indústrias de alimentos, que acredita no crescimento do mercado. Os investimentos programados para o ano, da ordem de US$ 5 milhões, estão sendo revistos para baixo. Dos quatro lançamentos previstos para o segundo semestre, dois deles foram suspensos enquanto os outros estão em fase de avaliação. Conservadora, a Mococa está com o pé no freio, ainda sob o efeito da desvalorização cambial.
Em compasso de espera, a empresa preferiu desembolsar apenas R$ 1,5 milhão nos primeiros seis meses do ano e esperar pelo desenrolar dos negócios. "Os reajustes de preços causados pela variação cambial ainda não foram totalmente absorvidos", queixa-se Sérgio Pinheiro de Almeida, diretor-superintendente.
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia)
estimava, em janeiro, crescimento de 3% na produção física deste ano sobre o anterior. Dênis Ribeiro, economista da entidade acredita que o ano poderá fechar com acréscimo de 5%. "No acumulado do quadrimestre a produção cresceru 2,3% sobre os primeiros quatro meses do ano passado, apesar da variação cambial", afirma.
Pelos cálculos de Pinheiro de Almeida, só a embalagem teve impacto entre 10% e 30% no preço final do produto. "O repasse destes custos reverte em queda de vendas", prevê. Em meados do ano, a Mococa tinha planos otimistas e pretendia investir em ampliação da capacidade instalada, das duas fábricas
uma em Arcaburgo, em Minas Gerais e outra em Mococa, Interior do Estado, projetando aumentos entre 20% e 25% na produção física. Quase no final do primeiro semestre a Mococa contabiliza vendas empatadas com as dos primeiros seis meses do ano passado e acredita que o ano fecha com um volume produzido idêntico ao de 1998, somando 5 mil toneladas/mês.
Linha de doces - Sem despender muito investimento e esforços acaba de colocar no mercado, em parceria com a Cooperativa Batatais, do interior do Estado, a linha de doces Festa, em cinco sabores. "A Mococa entrou com a marca e distribuição e a cooperativa, com grande parte da capacidade instalada ociosa, passou a produzir a nova linha sob nossa supervisão", conta.
A nova linha consumiu investimentos de US$ 500 mil. "A nossa meta é conquistar 10% deste mercado dentro de dois anos", afirma. O faturamento líquido, que no ano passado somou R$ 110 milhões, não deverá minguar mas certamente não chegará nos R$ 140 milhões almejados, avalia.
Há 80 anos atuando no mercado, a empresa não diversificou seus produtos nem procurou novos nichos. A velha e conhecida lata branca estampada com a vaquinha Mococa de leite condensado ainda continua sendo o carro-chefe dentro da receita, seguida do creme de leite. Enquanto gigantes concorrentes como a Parmalat, Van den Bergh, Etti e Nestlé buscam inovações e investem pesado na mídia, a Mococa perde market share. Num passado distante liderava as vendas de creme de leite e leite condensado. Hoje alcança no máximo a vice-liderança em alguns pontos do país e em outros está em quarto lugar no ranking.
Outras duas categorias de produtos são fabricadas pela Mococa: a linha de cereais matinais e lácteos. Sem grandes novidades a empresa se preocupou em apenas colocar no disputado mercado de lácteos a embalagem 1.000 ml iogurte até então encontrado apenas nas embalagens 200 ml. Dentro de cereais lançou quatro sabores de mingau.

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