Mocidade faz o melhor desfile do primeiro dia mas não empolga o público6/Mar, 11:31 Por Silvio Barsetti Rio, 6 (AE) - A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a escola que melhor se apresentou no primeiro dia de desfile do Grupo Especial das escolas de samba do Rio. Com o enredo "Verde, amarelo e azul-anil colorem o Brasil no ano 2000", a Verde-e-Branca levou à pista 4 mil componentes para cantar um samba pobre, arrastado e que não empolgou o público. A idéia do enredo desenvolvida pelo carnavalesco Renato Lage era bem interessante. Índios ancestrais (aborígenes do futuro) chegavam ao Brasil para tentar 'resgatar' os valores da terra. Houve luxo e originalidade no desfile da Mocidade. Mas faltou empatia com a platéia. Renato Lage admitiu isso no final do desfile. "Samba é fundamental, representa 70% do desfile, e o nosso não tem melodia; faltou empolgação e ousadia", criticou. Além da ausência de melodia, o samba da Mocidade insistiu mais uma vez em fazer referências a estrelas, espaço sideral, etc. Desde que venceu o carnaval de 1985 com o enredo "Ziringuidum 2001, um carnaval nas estrelas" - aliás, com um samba de qualidade, o melhor da Mocidade desde então -, a escola da zona oeste do Rio incluiu estrelas, astros, anjos e deuses em dez letras de samba. A fórmula está ficando chata e repetitiva. Um dos pontos altos do desfile foi a apresentação da comissão de frente, formada por malabaristas do grupo Intrépide Trupe. Eles anunciaram a chegada da nave-mãe - uma alegoria de 20 metros de comprimento, com 80 'índios', também da Intrépide. Foi o carro alegórico mais bonito do domingo de carnaval, para orgulho de Lage. "Minha idéia deu certo e essa alegoria vai ficar para a história." Próximo da Praça da Apoteose, o carnavalesco não entendeu o sumiço de uma enorme bola de futebol no carro "Minas do Coração", que trazia vários atletas, como Virna, Leila Tande e Giovanne. A bola caiu ainda na concentração. Quem se divertia com o desfile da Mocidade era o técnico do Corinthians, Oswaldo Oliveira. Eufórico, ele cantava em voz alta o samba da escola. "A primeira vez que saí na Mocidade foi em 1968; vamos ganhar este ano", disse.

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