Moção de censura feita pela Câmara é política, diz Pagura
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 16 (AE) - O secretário municipal da Saúde, Jorge Roberto Pagura, afirmou hoje que a moção de censura pública aprovada ontem pela Câmara Municipal contra ele é uma prerrogativa "estranha" e faz parte de um movimento político do Legislativo - que estaria acuado com uma possível candidatura sua nas próximas eleições.
"Alguns parlamentares acreditam, mas eu deixei isso bem claro: não sou candidato a vereador; nem a prefeito." E defendeu-se: "Alegar que faltei às convocações é bobagem, pois, na quinta-feira, antes do imbróglio, estive com o vereador Mário Dias (PPB) e marquei minha ida à Câmara para o dia 16 de março; isso é um movimento político."
A moção - dispositivo legal que obriga o membro do Executivo a atender a uma convocação feita pelos vereadores - foi uma represália política ao secretário após entrevista concedida por Pagura à Rede Globo, na qual criticou vereadores por alterações no orçamento previsto para o Hospital do Servidor Público Municipal.
Os vereadores alegam que aprovaram o dispositivo porque Pagura não compareceu a quatro convocações feitas pela Comissão de Saúde, no ano passado.
"Eu não dei nome de ninguém - não sei se vestiram a carapuça - e tenho o dever, como secretário, de reclamar qualquer dinheiro retirado da Saúde."
Pagura é o primeiro secretário municipal alvo de uma moção aprovada pela Cãmara. Segundo parlamentares, esse é um dispositivo grave, que deixa os dois poderes em choque.
Futuro político - Algumas atitudes de Pagura estão levantando as suspeitas sobre uma possível candidatura. Filiado ao PTN apenas por "apoio ao prefeito", ele iniciou este ano o que considera uma peregrinação aos hospitais públicos. De janeiro até hoje foram dez visitas, ante as quatro realizadas durante todo o ano passado. Numa delas, populares estenderam uma faixa com os dizeres "Pagura prefeito".
Apesar de contestar veementemente a participação nas próximas eleições, o secretário se contradiz quando expõe seus planos futuros. "Para postular alguma candidatura vai ter de haver uma mudança no meu enfoque de vida", considerou. "Mas isso não quer dizer que, num futuro próximo ou longínquo, eu deixe de usar essa experiência adquirida, pois projeto político existe."


