Moçambique pede ajuda contra enchente
Agência Estado
De Haia
O vice-ministro de Moçambique, Henrique Cossa, solicitou a ajuda de especialistas em hidrologia, presentes no Fórum Mundial da Água, em Haia, Holanda, para projetos de reconstrução nas zonas afetadas pelas enchentes e para novos projetos, que ajudem a prevenir desastres semelhantes no futuro.
O Japão se prontificou a coordenar uma equipe multinacional de especialistas e já conta com a ajuda da Global Water Parnership, GWP, e do Instituto Internacional de Pesquisa em Hidrologia e Engenharia, IAHR.
Até agora, o número oficial de mortos é 700, mas ainda há muitos cadáveres sendo retirados da lama, incluindo casais e famílias inteiras, que simplesmente se fecharam em casa e aguardaram a morte deitados na cama.
As enchentes deste ano foram excepcionais devido à ocorrência do Ciclone Eline logo em seguida a uma forte depressão tropical. Tivemos quase mil quilômetros afetados por enchentes simultaneamente e as águas continuam altas, após 6 semanas, disse o hidrologista Álvaro Carmo Vaz, da Universidade de Moçambique. Além da ajuda de especialistas, precisamos trabalhar em conjunto com a África do Sul e o Zimbabwe porque os rios nascem lá e qualquer solução passa por uma gestão internacional integrada.
Águas poluídas A organização ambientalista Fundo Mundial para a Natureza, WWF, acusa mineradoras de negligência na estocagem de águas servidas, normalmente poluídas por metais pesados ou produtos altamente tóxicos e armazenadas em lagoas de contenção, nas margens dos rios.
Frequentemente as lagoas vazam ou se rompem, causando grande impacto, como o recente derramamento de 100 mil m3 de cianeto no rio Danúbio, na Romênia, em 30 de janeiro, seguidos de 22 mil toneladas de metais pesados, no mesmo rio, no último 10 de março.
É uma questão de gerenciar melhor o risco, tornar a legislação mais rigorosa e encontrar alternativas tecnológicas mais adequadas do que as lagoas, observou Claude Martin, diretor do WWF. Há uma preocupação com a Espanha, em especial, onde os ambientalistas inventariaram 746 lagoas de contenção de mineradoras e operação, que ameaçam cidades e unidades de conservação. Este não é só um problema dos países em desenvolvimento, mas merece a atenção de todos os países europeus, onde há muitas destas bombas tóxicas estocadas, acrescenta Martin.





