Silvana Porto Especial para a Folha
A venda de cartões de pizza, feijoadas, churrasco e bingos com renda destinada a entidades sociais está se tornando tradição em Paranavaí. As promoções, associadas a atividades desenvolvidas pelas entidades, como confecção e venda de produtos artesanais, são o que têm assegurado a manutenção das entidades.
Um levantamento realizado pelo setor de Assistência Social da Secretaria Municipal de Ação Social, mostra que das 2.550 crianças e adolescentes, de zero a 18 anos, atendidos por 20 entidades de Paranavaí, apenas 787 são beneficiadas por convênios governamentais. ‘‘Muitos convênios não cobrem integralmente o número de assistidos pelas entidades’’, diz a assistente social Ellen Araújo do Nascimento
De acordo com a representante do Segmento de Adolescentes Atendidos em Entidades Assistenciais do Conselho Municipal de Assistência Social, Líria Balestieri, o governo federal só mantém o repasse continuado a entidades que atendem crianças de zero a seis anos em convênios firmados até novembro de 1996. As que surgiram depois dessa data ficaram sem ajuda financeira.
Para se manter, as creches fora dos convênios contam com ajuda da comunidade e apoio da prefeitura. A administração custeia a folha de pagamento de 20 entidades, além de despesas com energia elétrica, água, telefone e fornecimento de leite para o café da manhã um dia por semana. A criação de uma comissão federal, que analisa os pedidos de ajuda para entidades, dificulta ainda mais a aprovação das propostas enviadas pelos municípios. Cada cidade só pode enviar três projetos, de R$ 50 mil cada, para atender crianças de ‘‘extremo’’ risco. Se aprovados, os recursos são destinados aos municípios durante apenas cinco meses. ‘‘A intenção do governo é que a sociedade e as prefeituras colaborem com a manutenção das entidades, assumindo a maior parcela das despesas’’, lamenta Líria.
A falta de um programa para atender entidades que assistem jovens, com idade entre 15 e 18 anos, já provocou a reação da sociedade. As entidades de 29 municípios da região de Paranavaí fizeram um abaixo-assinado com quase 3 mil nomes repudiando a forma como o governo seleciona o público a ser beneficiado. O documento, encaminhado à Presidência da República, solicitou a expansão do convênio para todas as faixas etárias. Até a semana passada, as entidades não haviam recebido resposta.
Para a secretária de Ação Social, Jeanne Kato, também presidente do Provopar no município, a situação é difícil. ‘‘Principalmente para as entidades que assistem crianças acima de 7 anos’’, explica. A instituição presidida por Jeanne mantém um restaurante, o ‘‘Italianinho’’, cuja renda é destinada a entidades sociais. ‘‘Em sete meses repassamos mais de R$ 12 mil para as entidades’’.

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