Ribeirão Preto, 7 (AE)- Balanço parcial da safra de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto, com a totalidade produzida em 19 das 36 usinas da região foi divulgado hoje pela assessoria de imprensa do grupo de empresas, indicando que até o momento a queda no volume de cana moída deverá confirmar a expectativa de 5% a menos do que no ano passado, quando foram moídos no total 82 milhões de toneladas. As 19 usinas que já encerraram sua safra moeram este ano 35,3 milhões de toneladas contra 37,2 milhões no ano passado, o que representa uma queda de 5,2%. Ainda não foram computadas nessa soma as duas maiores usinas da região, a Companhia Energética Santa Elisa e a Usina Vale do Rosário, que estará encerrando sua safra amanhã (8). Entre as maiores usinas que encerraram sua safra estão a São Martinho e a Usina da Pedra.
Produção - Ainda segundo o balanço parcial sobre a safra de cana deste ano na região de Ribeirão Preto, as 19 usinas que já encerraram sua colheita, fecharam o ano 99 com uma produção de açúcar 8,8% maior do que no ano passado. A previsão no início de safra era de que seriam produzidos 10% a mais do que as 5,31 milhões de toneladas de açúcar do ano passado. Até o momento, as 19 usinas já produziram 2,48 milhões de toneladas contra 2,28 milhões no ano passado.
Alcool- O volume total de álcool produzido pelas usinas da região que já completaram sua safra este ano é 8,5% menor do que no ano passado. Ainda faltam para este cálculo as principais usinas da região, a Vale do Rosário e a Santa Elisa. No total, no ano passado foram produzidos 3,58 bilhões de litros. A previsão é de que este ano este volume caia em 15%. Até o momento, o volume fechado indica que foram produzidos 1,58 bilhões de litros contra 1,73 bilhões produzidos pelas mesmas 19 usinas até o seu encerramento da safra no ano passado. O interessante no volume de álcool é notar uma queda maior na produção do álcool hidratado (combustível), que passou do um bilhão de litros produzidos pelas 19 usinas no ano passado, para 930 mil litros, o que representa queda de 13%. em contrapartida, o volume de álcool anidro, aumentou sua produção de 621 mil litros pa ra 644 mil litros, aumento de 3,7%. No total das 36 usinas foram produzidos no ano passado 2,25 bilhões de litros de álcool hidratado e 1,3 bilhão de litros de álcool anidro. O balanço total da todas as usinas deve estar fechado até a segunda quinzena deste mês.
Receita - O relatório de perdas, apresentado pela CrystalServ aos seus clientes junto à mensagem de boas festas, encontra-se a soma de R$ 13 bilhões que perdidos em receita líquida nos últimos três anos. Uma das causas desta queda é atribuída pelo texto contido o relatório à extinção do Instituto do Açúcar e do álcool, em 1990 e a consequente desregulamentação do setor. "Ao mesmo tempo, a Rússia, maior compradora do açúcar brasileiro entrou em colapso, importando muito menos e até não pagando pelas compras já feitas", diz o relatório, lembrando que o preço do açúcar que chegou a alcançar invejáveis US$ 1.500 pela tonelada na década de 70, passaram a valer US$ 110 e o do álcool, que tem custo de produção de R$ 0,30 por litro, caiu de R$ 0,42 para R$ 0,14.
O relatório ainda faz projeções para a próxima safra, confirmando análises já divulgadas que indicam uma per da de 20% na produção de cana no próximo ano 00/01 com relação ao ano de 98/99, por conta da queda nos preços pagos aos fornecedores (de R$ 25,00 para até R$ 7,00 em alguns casos). O relatório encerra comentando a existência dos subsídios ao açúcar na Europa, que chegam a US$ 565 por tonelada e acusa a falta de "atitude do governo" para o "crime econômico que está se cometendo contra o setor".
Crystalserv - A CrystalServ, que conglomera a produção de açúcar e álcool das usinas Santa Elisa, Vale do Rosário, MB, Moema, Mandú e Jardest, além da destilaria Pioneiros enviou anexado à mensagem de boas festas para seus clientes este ano, um completo relatório sobre as perdas que o setor enfrentou. Segundo o relatório, o Brasil teria perdido este ano R$ 1,02 bilhão referentes à queda no preço do açúcar no mercado interno de R$ 16,00 historicamente para em média R$ 10,00 a saca, numa produção total de 170 milhões e sacas. Com relação ao mercado externo, a perda foi ainda maior. Para a produção exportada de nove milhões de toneladas, o preço histórico caiu de 11 centes por libra peso para uma média de 5 cents por libra peso, o que representou uma perda de receita de aproximados R$ 2 bilhões, considerando ainda o câmbio de R$ 1,67, explica o relatório. Já com referência à produçã o de álcool a perda nacional foi ainda maior: R$ 3,67 bilhões, devido a uma produção de 15 bilhões de litros ao valor de R$ 170 por metro cúbico, contra R$ 415 por metro cúbico historicamente. No total, apresenta o relatório, o montante que o setor deixou de faturar este ano teria sido de R$ 6,7 bilhões, que podem ser de R$ 5,6 bilhões, lembra em adendo, por conta da redução das perdas a partir do mês de setembro.
Colheita mecânica - Uma das curiosidades apresentadas pelo balanço parcial feito pela assessoria das usinas da região de Ribeirão Preto é o cálculo sobre a área já mecanizada e a área que ainda está colhendo cana queimada. É a primeira vez que as usinas deverão apresentar este cálculo. Com base nas 19 usinas do total de 36 existentes na região de Ribeirão Preto, é possível verificar que 35,5 milhões de toneladas colhidas, nove milhões foram colhidas cruas. As usinas na região de Ribeirão Preto esperam encerrar o ano com cerca de 35% de toda a área já mecanizada para a colheita de cana crua.
Quebra - O mercado internacional de açúcar está esboçando recuperação com a entrada da Rússia, como já era esperado há pelo menos um mês, na compra do produto. A expectativa do mercado é de que a alta registrada ontem, com as telas de venda de maio com preço fixado 6,37 cents por libra peso, ainda sejam mantidas por mais tempo. Para Julio Maria Borges, da JOB Economia a Planejamento, a entrada da Rússia no mercado, e a consequente alta no preço de 3,7%, não foram surpresa. "Apesar de ter estoques elevados, os analistas já estavam acompanhando a necessidade da Rússia de comprar mais quando os preços caíssem muito", disse. Na semana passada, quando o preço esteve na casa dos 5,80, ele dizia que a maior compradora mundial de açúcar entraria de imediato no mercado se esse preço recuasse um pouco mais, chegando aos 5,00. As importações de açúcar na Rússia devem fechar o ano com t otal de cinco milhões de toneladas, 42% acima da estimativa inicial de 3 5 milhões.
Para Borges, ainda é cedo para falar em previsões para o próximo ano. Ele acredita que as telas de maio deverão apresentar uma tendência de elevação dos preços a medida em que for ficando mais clara a posição exata de quebra da produção de açúcar. "A quebra máxima de açúcar que o Brasil pode ter no próximo ano, seja por conta de clima, seja por causa do aumento na produção de álcool é de cinco milhões de sacas. Isso pode acontecer sem que haja impacto no mercado interno e fará com que os preços internacionais atinjam maior equilíbrio",analisou.

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