MLST quer invadir área socialmente injusta
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de agosto de 1997
Agência Folha Brasília 
O MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) vai pregar a invasão de terras produtivas que sejam socialmente injustas. O movimento considera socialmente injustas as propriedades onde são verificados casos de trabalho escravo e exploração de mão-de-obra infantil. O MLST se propõe a ser mais um movimento social que luta pela reforma agrária. Seus líderes sustentam que não são uma dissidência do MST.
Os principais líderes do movimento, Bruno Maranhão e Manoel Conceição, fazem parte de facções radicais da esquerda do PT, a Brasil Socialista e o PT de Aço, respectivamente. Esses grupos têm maior representatividade nos Estados do Nordeste. A origem desses dois grupos é o extinto PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), uma dissidência armada do PCB (Partido Comunista Brasileiro) formada durante o regime militar (1964-85). Os líderes do MST estão ligados a facções menos radicais e aos grupos mais moderados do PT.
Para o deputado José Genoino (PT-SP), o novo movimento pode prejudicar o MST. Movimento social não se cria, ele surge naturalmente, disse Genoino. O MLST foi lançado oficialmente na última quinta. Eu tenho divergências com o MST, mas ele é um movimento de massa legítimo. Já acho negativa a divisão da esquerda, quanto mais a dos movimentos, afirmou. O deputado Jaques Wagner (PT-BA) classificou o MLST como um plágio do MST. Dividir forças é dispensável. É bem-vindo que mais pessoas se juntem à luta pela reforma agrária.
O MLST realizou no fim-de-semana seu 1º Encontro Nacional. O evento reuniu 720 representantes dos Estados onde o MLST diz ter 160 assentamentos e um número incerto de acampamentos: MA, PE, MG, BA, SE, RN, SP e PB. O encontro serviu para definir a estratégia nacional do MLST. O movimento existe há 12 anos, mas agora quer se tornar nacional. A meta é ter representações em todos os Estados em dois anos.
O MLST também prega a criação de uma empresa comunitária nos assentamentos. É como uma divisão social do trabalho na qual cada um cuida de uma parte do processo produtivo. No final, a riqueza produzida é dividida entre as famílias, explica Maranhão. Segundo ele, as experiências têm dado mais resultados do que a divisão dos assentamentos em lotes individuais. O objetivo, diz, é criar a base de uma nova sociedade socialista.


