O Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) pretende ter na segunda-feira o primeiro contato oficial com o governo. O MLST agendou uma audiência com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, ainda não confirmada. Apesar de existir há pelo menos dez anos, o MLST somente agora começa a se estruturar e tentar se expandir no País, a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, do qual diz ser aliado.
Ontem, o MLST elegeu os coordenadores nacionais, que terão a missão de estender as atividades do movimento para outros Estados. O MLST vai se encontrar pela primeira vez com dirigentes do MST em 16 de setembro, durante o julgamento de José Rainha Júnior, em Pedro Canário (ES). Diferente do MST, que se organizou a partir do Sul do Brasil, o MLST surgiu no Nordeste e hoje estima estar organizado em 160 acampamentos, que ocupam mais de 1,2 milhão de hectares.
Espionagem - A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Terenos, Mato Grosso do Sul, e uma das líderes do Movimento Sindical de Trabalhadores Rurais (MSTR) no Estado, Osvaldina Mendes de Freitas, 38, protocolou denúncia na Secretaria Estadual da Segurança Pública acusando o MST de tentar ‘‘infiltrar’’ pessoas no acampamento que ela lidera, numa área de domínio da União ao lado da rodovia BR-262.
Egídio Brunetto, 40, da direção nacional do MST, contestou a acusação. Ele afirmou que nenhum membro do movimento está atuando em Terenos. ‘‘Não temos essa prática de ‘infiltrar’ quem quer que seja’’.
Sobrinha do sindicalista Chico Mendes, assassinado no Acre em 1988, Osvaldina Mendes disse que não quer ‘‘aparecer na mídia’’ por causa de seu parentesco. Ela apresentou uma lista dos supostos membros do MST ao secretário da Segurança do Estado, Joaquim d’Assunção, um dos interlocutores do governo estadual na questão da reforma agrária.

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