MITOS x SOLIDARIEDADE - Medo ainda afasta doadores de sangue
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de junho de 2007
Giuliana Reginatto<br>Agência Estado 
Doar sangue em estabelecimentos credenciados é mais seguro que submeter-se a alicates em salões de beleza pouco familiares, nos quais pouco se sabe sobre os métodos de esterilização empregados. E, mesmo assim, o medo continua a afastar o brasileiro dos bancos de sangue. ''Apenas 2% da população doa sangue anualmente. Se toda pessoa apta a doar fizesse isso uma vez por ano, os problemas de estoque estariam resolvidos'', diz a médica hematologista da Fundação Pró-sangue, Cyntia Arrais.
Em alguns países europeus e nos Estados Unidos, onde existem alguns programas de doação remunerada, a participação da população na atividade é mais efetiva. Para Cyntia, mais que estímulo financeiro, falta informação ao brasileiro. ''O fato do País nunca ter vivido uma grande guerra ou catástrofes naturais importantes, que afetassem a população inteira, fez com que essa tradição em doar sangue não se instalasse por aqui. Ainda assim, o brasileiro é solidário por natureza. O que falta é informação, não solidariedade. Há quem pense que doar sangue provoca anemia, engorda ou emagrece, provoca doenças... São apenas mitos'', garante a médica.
Para os especialistas, a segurança do procedimento de doação depende do respeito a regras básicas: o voluntário deve ter entre 18 e 65 anos, pesar no mínimo 50 quilos e apresentar boas condições físicas e laboratoriais. ''A incidência de algumas doenças, como aids, hepatite após os dez anos de idade, doença de Chagas e malária, assim como o uso de drogas injetáveis, inviabiliza a doação'', ressalta Cyntia.
Menos difundida que a doação de sangue, a doação de plaquetas é outro programa mantido pela Fundação. O material coletado - em um procedimento conhecido como aférese - garante o bem-estar de quem precisa passar por quimioterapia. ''Com o aumento da expectativa de vida da população, é natural que a incidência de câncer aumente também. Assim, mais pessoas terão de fazer uso de plaquetas doadas.''
A médica explica que todo sangue, ao ser coletado por um procedimento convencional, passa pelo fracionamento -de modo que hemácias, plasma e plaquetas são isoladas em três partes. ''Ainda assim, a quantidade de plaquetas que se obtém em uma bolsa de sangue é muito pequena. Para um adulto de 70Kg, seriam necessárias sete bolsas de sangue que podemos obter com apenas uma bolsa coletada por aférese.''


