Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), ocupada há quase dois anos por 90 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), poderá abrigar a partir do próximo ano a Universidade do Agricultor - projeto acadêmico-social multidisciplinar que pretende transformar a propriedade em local para experimentos de agricultura de alta tecnologia.
O projeto envolve a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e as prefeituras de Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu.
Além de tentar recuperar o conceito da propriedade - Mitacoré foi considerada fazenda-modelo de 1981 a 1997, período em que eram desenvolvidas pesquisas de melhoramento de novas variedades de sementes e formas de plantio - a iniciativa busca a solução definitiva para a situação de 90 famílias de sem-terra que vivem na propriedade cultivando milho, soja e feijão.
Segundo Jair Klotz, diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicada do câmpus Foz da Unioeste e coordenador do projeto, as negociações com o MST é o último entrave para que a Universidade do Agricultor saia do papel.
‘‘Só iremos aceitar a proposta se todas as famílias permanecerem assentadas aqui, em Mitacor钒, condiciona Mauro Paiva, da coordenadoria regional do movimento. O MST garante que está elaborando um outro projeto, que assegura a viabilidade do assentamento das 90 famílias e inclui a participação dos integrantes do movimento nas pesquisas da Universidade do Agricultor.
Um encontro está marcado para a próxima terça-feira, na prefeitura de São Miguel do Iguaçu, reunindo o MST e representantes de todos os órgãos envolvidos no projeto.

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