Belo Horizonte, 25 (AE) - O ilusionista e mágico norte-americano Val Valentino, de 43 anos, conhecido como "Mister M." e famoso por desvendar truques dos colegas de profissão, teve de prestar depoimentos hoje de manhã, em Belo Horizonte, à Polícia Civil e à Justiça. Mister M., que fez um show ontem à noite para milhares de pessoas, no ginásio do Mineirinho, Zona Norte da capital, foi acusado por membros da Academia Mineira de Ilusionismo (AMI) de ferir o artigo 154 do Código Penal brasileiro. O artigo considera crime a violação de segredos profissionais.
"Ele mostra como são feitas mágicas que jamais poderemos apresentar novamente, e algumas delas custam até US$ 8.000,00", disse o presidente da AMI, Iago Jocelyn. No primeiro semestre, a entidade mineira enviara um documento à Procuradoria-Geral de Justiça de Minas, pedindo o cancelamento da turnê que Mister M. faria no Brasil, mas não teve sucesso. Jocelyn, um dos autores da nova representação contra Mister M., entregue ontem à Secretaria de Segurança Pública do Estado, defendeu a prisão do ilusionista. Para ele, o norte-americano sempre fora um mágico "desajeitado", em Los Angeles, e achou que podia ficar famoso traindo toda a categoria.
Por ordem do secretário Mauro Lopes, Mister M. foi intimado a comparecer na manhã seguinte ao show à Superintendência Metropolitana de Polícia Civil (Metropol), na Zona Sul. Durante depoimento ao delegado Márcio Siqueira, que durou duas horas, Mister M., acompanhado de dois advogados e de um intérprete, garantiu que a insatisfação dos colegas mineiros era "um mal entendido que sempre acontece com mágicos locais".
De acordo com o ilusionista, que deu dezenas de autógrafos a curiosos e aos próprios policiais, o que ele faz nos espetáculos "não é crime". Prova disso, explicou, seria "o grande número de livros de truques, à venda em todo o mundo, e de sites da Internet onde se pode aprender as mágicas". Apesar das explicações, Mister M. teve de ir ao Juizado Especial Criminal de Belo Horizonte, na Zona Oeste, para onde o inquérito da Metropol foi remetido. Depois de poucos munutos de conversa, juíza Luzia Divina de Paula Lopes decidiu arquivar o processo, por falta de provas contra o ilusionista. Ele e sua equipe seguiram, à tarde, para Joinvile (SC), onde acontece o próximo show da turnê brasileira.

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