Integrante paranaense da Pastoral da Criança, Odete Del Castenhel Dorigon, 40 anos, voltou ao Brasil depois de auxiliar as crianças no Timor Leste. A missionária foi recepcionada ontem por cerca de 150 pessoas em São Miguel do Iguaçu, distante 43 km de Foz do Iguaçu.

A voluntária permaneceu 35 dias na pequena ilha localizada na Indonésia (Sudeste da Ásia), que ficou conhecida mundialmente depois que a guerra civil resultou em 200 mil pessoas mortas (ver texto ao lado). Ao ser recepcionada pelos parentes, amigos e vizinhos, Odete falou das saudades da família, descreveu imagens comoventes e lamentou as dificuldades impostas pela guerrilha.

''Na cidade onde ficamos (Dili) não há uma só casa que não foi queimada. Pelo menos hoje, não vamos reclamar da vida que levamos em nosso país'', disse emocionada, enquanto era cercada por crianças da cidade que ela mesma ajudou a salvar da desnutrição.

Enviada pelo Ministério da Saúde, juntamente com outras duas integrantes baianas da Pastoral, a missionária auxiliou na formação de 42 líderes comunitárias (20 em Dili e 22 em Bauau). Elas serão agentes multiplicadoras e devem cuidar, cada uma, de 30 famílias. ''Fomos solicitadas pelas autoridades locais, entre eles o bispo Carlos Ximenes Belo'', comentou Odete, referindo-se ao prêmio Nobel da Paz de 1996.

Para o marido da missionária, o agricultor Dirso Peron Dorigon, 47, o trabalho da missionária foi uma mistura de orgulho e preocupação para a família. ''Dependíamos do contato dela porque nossas ligações para o Timor não completavam. Ficávamos aflitos pensando nela vivendo em um país que luta pela independência'', desabafou Dorigon, lembrando a data do aniversário de casamento (29 de julho), quando comemoraram a distância os 23 anos de união. O casal tem duas filhas (Juli Cristina, de 22 anos, e Priscila, de 19) e dois netos, entre eles Ana Laura, uma das pequenas anfitriãs da festa.

Por enquanto, não há previsão de novas viagens para a ilha, mas Odete deixou bem claro que, se for chamada, voltará para cumprir o que a filosofia da Pastoral da Criança sempre ensinou. ''A mortalidade infantil é muito grande e eles ainda não sabem como iniciar um trabalho junto às crianças. A Pastoral no Timor Leste é um sinal de esperança para aquela comunidade'', elogiou a missionária, lembrando da merecida indicação do trabalho ao Prêmio Nobel da Paz deste ano.

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