A missão técnica mista Canadá, Estados Unidos e México, que vem ao Brasil avaliar o controle sanitário exercido pelas autoridades locais sobre o rebanho bovino brasileiro, começa seus trabalhos na próxima quarta-feira pela manhã, segundo informou, ontem, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira. Além de seis veterinários - dois de cada um dos três países - a missão será integrada pelo próprio veterinário-chefe da Agência de Inspeção Alimentícia do Canadá, Brian Evans. ‘‘O roteiro da missão deverá ser definido nesta segunda-feira’’, disse Luiz Carlos, após uma série de telefonemas trocados com Brian Evans no final de semana.
O governo brasileiro ainda não sabe quantos dias a missão técnica ficará no País. A embaixada do Canadá, por sua vez, divulgou uma nota no final de semana informando que ‘‘uma equipe de especialistas dos três países (Canadá, EUA e México) chegaria ao Brasil no início da próxima semana. Na mesma nota, afirma que o ministro da Agricultura canadense, Lyle VanClief, telefonou ao ministro Pratini de Moraes na sexta-feira última, tendo reafirmado no telefonema que o embargo foi causado exclusivamente por questões de saúde pública. Conforme a nota, os dois ministros concordaram sobre a necessidade de encontrar uma rápida solução para o impasse.
Embora o programa da visita ainda não tenha sido definido, Luiz Carlos de Oliveira disse que os veterinários estrangeiros verificarão, prioritariamente o controle praticado pelo Ministério da Agricultura com relação aos animais importados do Reino Unido (179, dos quais 97 ainda estão vivos), na década de 80 e da França e Alemanha (4.391) na década de 90; e o sistema de rastreabilidade que está sendo implementado pelo Ministério para monitorar o rebanho nacional , incluindo o gado importado. Este sistema, totalmente informatizado, conterá dados desde o nascimento até o abate do animal. Os técnicos também analisarão o sistema de diagnósticos aplicado pelo governo para controlar doenças com sintomatologia nervosa, como a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), ou vaca louca.
Durante conversa telefônica com Luiz Carlos de Oliveira, o chefe da Agência de Inspeção Alimentícia do Canadá informou que as autoridades sanitárias canadenses ainda estavam avaliando o relatório enviado no final de janeiro pela Secretaria de Defesa Agropecuária sobre o sistema brasileiro de vigilância sanitária. Brian Evans reafirmou o que já havia dito na semana passada: que as informações eram consistentes. Mas embora já tenha afirmado que os dados permitiam a retirada do embargo às exportações - independentemente da vinda da missão - não há informação concreta por parte do Canadá com relação a esta possibilidade. ‘‘A missão terá a oportunidade de ratificar que o Brasil é livre da EEB. E nossa expectativa é de que tudo seja resolvido até o final desta semana’’, observou Oliveira.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura enfatizou que o diálogo com o chefe da Agência de Inspeção Alimentícia do Canadá tem sido muito produtivo.
Protesto O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Hafers, prevê a participação de cem pessoas no protesto contra o bloqueio canadense à carne brasileira, marcado para hoje, às 9 horas, na sede da entidade, na região central de São Paulo.

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