A Missão SOS Vida é uma das entidades que aguarda auxílio dos valores do Imposto de Renda para melhoria do atendimento às crianças e adolescentes abrigados. A entidade, que nasceu há sete anos, possui quatro casas de apoio - com 60 pessoas. Uma delas é destinada especialmente para crianças e adolescentes retirados das ruas de Curitiba ou encaminhados pelo Juizado da Infância e da Adolescência por alguma situação de risco (pais que espancavam, filhos de presidiários, ameaçados de morte).
A fundadora da instituição, Walquíria Fernandes, diz que os projetos de final de ano são fundamentais porque significam recursos extras - que podem ser investidos. ''Hoje a gente arrecada recursos de voluntários para pagamento de alimentação, energia, água e infraestrutura básica. Qualquer reforma, qualquer adicional, necessita de recursos extras e que não existem. Esse é o momento certo para que os projetos para melhoria apareçam e os meninos sejam melhor atendidos'', afirmou a empresária.
Os 16 meninos que convivem na casa de Colombo aprendem artesanato, música, artes plásticas e marcenaria. Eles são levados diariamente para a escola e são buscados por um veículo que precisa ser substituído. ''Trabalhamos com crianças. São vidas. Pessoas que precisam de tratamento adequado por que serão os jovens do futuro. Para segurança deles, precisamos de um novo veículo. O dinheiro arrecadado do Imposto de Renda será usado primordialmente nisto'', disse ela. No ano passado, a entidade tinha limite para receber R$ 60 mil e teve doação apenas de pessoas físicas de um totoal de R$ 2 mil. O entrave, segundo Walquíria, é chegar até os grandes empresários.
''Sempre tem alguém que não deixa a gente apresentar um bom projeto ao grande empresário. Sempre somos barrados. Não conseguimos nem explicar que não queremos doação. Queremos parte do dinheiro que vai ter que ser pago - de qualquer forma - para o Imposto de Renda. Um dinheiro que poderá ser acompanhado o investimento: da entrada do recurso à efetivação dos investimentos previstos'', explica.
As crianças e adolescentes ficam na Missão SOS Vida por tempo indeterminado. Se alcançam a maioridade e não têm condições de conseguir sustento, elas permanecem na entidade numa das casas de abrigo para maiores (em Colombo e em Agudos do Sul). ''Esse é um projeto de longo prazo. Não recuperamos o indivíduo e jogamos de novo para sociedade. Queremos retirar as crianças das ruas, dar estudo, alimentação, profissão. Depois devolvemos à sociedade. Muitas vezes até casados e com famílias a serem constituídas - como ocorreram algumas vezes''.
A Missão SOS Vida sobrevive hoje com recursos do convênio com a Prefeitura de Curitiba (R$ 3,2 mil por mês) e doações de voluntários. Os gastos mensais da entidade somam R$ 16 mil. O projeto da missão para este ano prevê limite de recursos de R$ 92,5 mil. Até agora, recebeu como doação pela Internet R$ 1,9 mil. (L.P.)

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