Missão quer acabar com despejos em Curitiba
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um grupo de especialistas da Missão Internacional de Despertos em Despejos Forçados, que presta serviço de aconselhamento no Grupo Habitat das Nações Unidas, está desde ontem em Curitiba para cobrar uma mudança de postura do governo municipal. Nos últimos 12 meses, a missão recebeu denúncias de despejos forçados e feitos com violência em apenas duas cidades brasileiras: Curitiba e Alcântara (MA). O grupo quer acabar com os despejos e garantir a relocação ou regularização de área de cerca de 200 mil pessoas que estariam vivendo em ocupações irregulares.
''O que queremos é fazer com que a capital paranaense seja inserida no Projeto Curitiba Sem Despejos. Não mais queremos ver os tratados internacionais sendo desrespeitados. Todos têm direito à moradia. Se estiver em área de risco ou de manancial, o despejo pode ser feito, mas de forma dialogada. Garantindo um outro local adequado e com estrutura para as famílias'', pontuou a advogada e coordenadora da missão, Letícia Osório. A proposta vai ser encaminhada formalmente hoje à Prefeitura de Curitiba, numa audiência pública marcada para as 10 horas, no plenarinho da Assembléia Legislativa.
Entre os casos que serão detalhados hoje estão o despejo de 72 pessoas (entre elas, dez crianças e seis idosos) que estavam acampadas num terreno da Vila Sambaqui, zona sul de Curitiba. Os barracos teriam sido destruídos e os colchões e utensílios das pessoas que estavam abrigadas no local foram queimados. Anselmo Schwertner, membro da Coordenação Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, disse que foi derrubado no chão, algemado e violentamente espancado. ''Mulheres grávidas ficaram feridas. Foi um descaso aos direitos humanos'', conta Schwertner.
Situação semelhante teria ocorrido na Vila Leonice, no bairro Cachoeira, divisa com Almirante Tamandaré. Cerca de 62 famílias foram despejadas em maio de 2003 pela Polícia Militar. Os pertences também foram queimados e a área foi cercada com arame farpado. Na Vila São Brás, em maio de 2004, 144 famílias tiveram que deixar suas barracas ainda durante a madrugada. As casas construídas foram destruídas e os pertences despejados em caminhões. Muitas famílias teriam sido levadas para albergues onde foram avisadas que ficariam por apenas três dias. Uma criança teria sido internada com traumatismo craniano.


