Missão para buscar brasileiros tem quatro aeronaves e equipe médica
Previsão é que grupo desembarque no Brasil neste sábado (8) e fique em quarentena em Anápolis
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de fevereiro de 2020
Previsão é que grupo desembarque no Brasil neste sábado (8) e fique em quarentena em Anápolis
Natália Cancian – Folhapress 
Brasília - Duas aeronaves VC-2, que costumam ser usadas para transporte presidencial, decolaram no início da tarde de quarta-feira (5) da Base Aérea de Brasília em missão para buscar um grupo de brasileiros em Wuhan, epicentro do surto de coronavírus na China.

O tempo de voo de cada aeronave estava estimado em cerca de 23 horas. Em Wuhan, os brasileiros passarão por exames e avaliação médica. Somado o tempo no local, a previsão é que a missão dure em torno de 62 horas.
A previsão é que o grupo chegue à cidade chinesa na noite desta quinta-feira (6), de acordo com o fuso horário chinês, o que equivale ao início da tarde no Brasil. A chegada está prevista para a madrugada de sábado (8).
Até o momento, 34 pessoas, entre brasileiros e parentes chineses, estão previstos para retornar ao Brasil. Na chegada, eles devem passar por quarentena de até 18 dias em uma base militar em Anápolis, em Goiás.
A capacidade máxima de cada aeronave VC-2 é de 30 pessoas. Elas têm 28 metros de comprimento e velocidade máxima de 985 km/h. O uso de duas aeronaves ocorre para evitar o contato próximo entre os passageiros.
Além delas, a missão para retorno do grupo será composta por outras duas aeronaves de apoio Legacy que partiram ainda na terça-feira (4) levando tripulações de revezamento.
Essas duas outras aeronaves, porém, devem ficar em Varsóvia para troca de equipes de tripulação, devido ao limite de jornada de voo dos militares. Com isso, o voo está previsto para ocorrer de forma contínua, sem paradas para descanso.
Além dos passageiros e da tripulação, também estariam a bordo de cada aeronave uma equipe médica, para o caso de apresentação de sintomas, e pessoas capacitadas para realizar missões do tipo DQBRN (defesa química, biológica, radiológica e nuclear). O objetivo é adequar o transporte de pessoas e materiais submetidos à ação de agentes químicos. A medida visa evitar a transmissão do novo coronavírus.
A tripulação de cada voo é composta por 11 pessoas. Já a equipe médica em cada uma delas é composta por sete pessoas, sendo seis médicos do Exército e um do Ministério da Saúde. O total de participantes da missão não foi informado.
Cada aeronave também levará um equipamento de assistência médica chamado de "bolha", em caso de necessidade de socorro. Antes do embarque, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, cumprimentou militares por participarem de uma "missão humanitária".
Para ele, o governo deu uma resposta rápida ao pedido dos brasileiros. Inicialmente, porém, o governo informou que não havia intenção de buscar o grupo. A justificativa era a ausência de regras para quarentena no País.
Questionado sobre o atraso em adotar medidas em relação a outros países, o ministro apontou a falta de recursos como um impasse. "Olha as distâncias, os recursos que eles têm. Há uma deficiência muito grande", afirmou.


