Missão enviada ao Timor volta ao Brasil após seis meses17/Mar, 18:46 Por Carolina Brígido, especial para a AE Brasília, 17 (AE) - Depois de seis meses fora do País, os 51 integrantes da missão brasileira no Timor tiveram de esperar meia hora para abraçar seus familiares, no desembarque dos militares na base aérea de Brasília. Enquanto uma multidão de parentes e amigos aguardavam os rapazes com faixas e sorrisos, as formalidades do Exército os fizeram marchar em fileiras, cantar o hino nacional e ouvir os discursos das autoridades presentes. Ao fim da solenidade, os militares abandonaram a pose e viraram homens emocionados - mesmo trajando roupas camufladas e munidos de cantil e facão. A corda que os separava dos familiares se soltou, e os abraços nos filhos, pais, amigos e esposas os fizeram chorar, sorrir e sanar parte da saudade de casa. "Vocês vão me matar de emoção", disse o soldado Sidnei Aparecido Rosa, ao abraçar cada um da comitiva de 12 pessoas que o esperava. A tropa, que integrou a força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), desceu do avião da Força Aérea Brasileira (FAB) empunhando uma bandeira nacional, com ares de heróis. Aparecida Rosa, mineira de Patrocínio, mãe do soldado Sidnei, não escondia o orgulho: "Não tenho nem palavras. Sabia que meu filho voltaria como herói." A missão brasileira no Timor Leste saiu de Brasília no dia 20 de setembro do ano passado rumo a Darwin, Austrália, onde ficou por dez dias em treinamento e processo de adaptação climática. No dia 3 de outubro, chegou a Díli, Timor Leste, com a atribuição de controlar distúrbios, proteger instalações, organizar o trânsito, fazer escolta de comboios, realizar perícias médicas e fazer investigações criminais. Segundo o comandante do contingente brasileiro, major Fernando do Carmo Fernandes, não houve troca de tiros envolvendo a tropa brasileira durante toda a estada da missão fora do País. Embora sem maiores riscos, houve alguns momentos de tensão. O mais recente foi numa visita do presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, ao Timor, quando grupos inconformados com os conflitos tentaram invadir o local, sob segurança da missão brasileira. O episódio não resultou em consequências graves. Segundo o major Fernando, o fato de a tropa ser brasileira ajudou muito. "Não somos melhores que ninguém, mas a população do Timor gostava muito da gente. Somos um povo que não tem desavenças com nenhum outro, e isso foi de fundamental importância", constatou o major. A associação do brasileiro com o futebol era inevitável. Por onde passavam, eles jogavam uma partida. "Não perdemos nenhum jogo no Timor", lembra-se o major. Ele conta que, às vezes, mandavam do Brasil fitas de vídeo com as partidas do Campeonato Brasileiro de Futebol. O jeito brasileiro invadiu o Timor não só com a bola, mas com os costumes. "Às vezes a gente assava uma carne e tocava um pagode", conta o capitão Leitão. "Era importante para manter alto o moral da tropa", observa o capitão. Fora essas exceções, o cardápio da tropa era o típico da Austrália: no café-da-manhã, eles comiam feijão adocicado, bacon e ovos, acompanhado de café; no almoço, uma salada, e no jantar, uma carne mal passada ao molho curry. Mesmo que reclamassem, comiam bem. Tanto que todos os militares engordaram durante a temporada. A partida de lá foi quase tão emocionante quanto o dia do embarque em Brasília. "Fizemos muitas amizades", conta o soldado Sidnei, que recorda como foi difícil para o povo timorense se despedir deles. No dia 14, um dia antes da partida dessa missão, chegou a Díli a tropa brasileira substituta, com 78 homens. Segundo o capitão Leitão, "o alívio de estar voltando se mistura com o ciúme de passar adiante o equipamento, a viatura". As lições que aprenderam foram muitas. "A gente ficou indignado de ver até que ponto as pessoas podem chegar", declarou o major Fernando, se referindo aos estragos promovidos no Timor Leste. "Eu vi um país em que não sobrou nada. Tivemos que ajudar a reconstruir tudo o que foi destruído em nome da intolerância", declarou o major, ressaltando a importância do trabalho em conjunto da missão.

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