Brasília, 22 (AE) - A missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) termina amanhã sua rodada de reuniões com autoridades governamentais brasileiras. A chefe do departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, Teresa Ter-Minassian, e sua equipe, deverão deixar o Brasil na sexta-feira, depois de 12 dias de conversas em torno da quinta revisão do acordo brasileiro. Os dados e avaliações coletados pela missão serão levados a Washington, onde será elaborado um relatório que será submetido à diretoria do FMI, provavelmente em maio.
Alguns dos parâmetros assumidos pelo Brasil na quarta revisão, concluída em dezembro do ano passado, não foram cumpridos. Pelo texto do Memorando Técnico de Entendimentos, o presidente Fernando Henrique Cardoso deveria sancionar a Lei de Responsabilidade Fiscal até o final de fevereiro. Porém, o projeto ainda está sendo analisado no Congresso.
Também até o final do mês passado deveria ter começado a implementação da reforma do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) - o que também não ocorreu. A aplicação do chamado fator previdenciário estava pendente de decisão da Justiça, que só ocorreu na semana passada. Um técnico da área econômica esclareceu que o fato de essas medidas terem atrasado não tem grandes consequências sobre o andamento do acordo. "São parâmetros que servem mais para formar uma visão sobre a economia brasileira do que um compromisso ou uma meta propriamente ditos", explicou.
Um dos pontos discutidos nessa rodada com o FMI foi o aperfeiçoamento do mecanismo de metas trimestrais de inflação. O Brasil é o primeiro País a conseguir incluir, no acordo com o FMI, um compromisso de desempenho ligado à inflação. No entanto, esse mecanismo ainda precisa ser aperfeiçoado. Ele é baseado na inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
em séries de doze meses.
Porém, a equipe econômica acha que, dessa forma, ela acaba captando altas temporárias de inflação, como ocorreu no final do ano passado, e "carregando" esses efeitos durante doze meses. É por essa razão que o próprio governo admitiu, em dezembro passado, que há chances de a meta de inflação "estourar" no segundo e terceiro trimestres deste ano.

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