Missão do FMI inicia coleta de informações para revisão de acordo
Missão do FMI inicia coleta de informações para revisão de acordo13/Mar, 18:39 Por Renato Andrade Brasília, 13 (AE) - A missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou hoje os trabalhos de coleta de informações para a quinta revisão do acordo de ajuda financeira de US$ 41,5 bilhões, assinado com o governo brasileiro em 1998, após a crise econômica da Rússia. A economista Teresa Ter-Minassian, diretora-adjunta do Departamento do Hemisfério Ocidental do fundo, reuniu-se durante todo o dia de hoje, no Ministério da Fazenda, com o secretário-executivo, Amaury Bier, e de Política Econômica, Edward Amadeo. Os técnicos do fundo mantiveram a tradiconal posição de não falar com a imprensa. Essa posição também foi fortalecida, depois da forte reação do governo brasileiro diante das declarações dadas pelo representante do FMI no Brasil, Lorenzo Perez, sobre a criação do fundo de combate à pobreza. A missão fica no País até o próximo dia 24, mas a conclusão do relatório de avaliação, que embutirá as novas bases do acordo, só deverá ser divulgada em maio, após a aprovação do relatório pela diretoria do fundo. Na reunião de hoje, os técnicos do fundo começaram a avaliar os resultados das contas públicas no ano passado. Em 1999, o setor público consolidado obteve um superávit primário (receitas menos despesas, sem considerar os gastos com juros) de R$ 31,098 bilhões, o que ultrapassou em R$ 913 milhões a meta definida junto ao fundo. Até o dia 24, os técnicos do fundo estarão avaliando também as metas para o primeiro trimestre deste ano. Na quarta revisão do acordo, fechado no final do ano passado, foi definido os critérios de desempenho para o setor público consolidado para os dois primeiros trimestres deste ano. De acordo com documento, ao final de março, as contas do setor deverão fechar com um superávit primário de R$ 7,240 bilhões, e ao final de junho, em R$ 16,175 bilhões. Uma das mudanças que podem ser feitas nesta quinta revisão é o aperfeiçoamento do mecanismo de metas trimestrais de inflação, introduzido na última revisão. A idéia é tornar esse indicador um pouco mais consistente com todo o sistema de metas inflacionárias, que passou a funcionar em julho do ano passado. O maior problema desse mecanismo é que, como as metas trimestrais são referentes à inflação acumulada nos últimos 12 meses, choques de oferta ocorridos no ano passado podem "contaminar" os índices apurados este ano. Esse efeito nos índices acaba sendo carregado por muito tempo até sair das estatísticas. Na quarta-feira, a economista Teresa Ter-Minassian terá sua primeira reunião com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Está agendada uma segunda reunião com a diretoria do BC para o dia 21. Até o dia 24, a missão também terá encontros com técnicos dos Ministérios da Previdência e Planejamento, Orçamento e Gestão.





