Brasília, 20 (AE) - A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá embarcar na próxima quinta-feira a Washington, após 17 dias analisando dados sobre a economia brasileira. A missão avaliou os resultados obtidos no primeiro trimestre do ano e negociou as metas e critérios de desempenho para o segundo semestre de 99. Algumas das projeções que integrarão o cenário econômico serão divulgadas nesta semana, segundo informou o secretário-executivo do Ministério do Orçamento e Gestão, Martus Tavares.
"Está praticamente tudo fechado", informou ele, ao deixar o Ministério da Fazenda. Integrantes da equipe econômica e técnicos do FMI reuniram-se na tarde de hoje para tentar concluir os termos do acordo para o segundo semestre, além de discutir projeções para o ano 2000.
Os técnicos informaram que as projeções para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação já estão determinadas. Há, porém, alguns pontos sobre os quais ainda não se chegou a um acordo. É o caso da explicitação dos volumes de reservas internacionais que o Brasil poderá gastar ao longo do segundo semestre. Quantitativos mensais haviam sido fixados para o período de março a junho, mas agora isso pode não ser mais necessário. Os tetos para gastos das reservas internacionais haviam sido fixados num período de forte saída de recursos do País.
Martus Tavares afirmou, ainda, que está garantido o cumprimento do compromisso de resultado primário (receita menos despesas exceto juros) do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) para o ano, equivalente a 3,1% do PIB. Ele admitiu que há incertezas quanto ao desempenho das receitas, por causa dos questionamentos na Justiça sobre a cobrança das contribuições previdenciárias dos funcionários públicos inativos e sobre o recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre telecomunicações e energia. Porém, garantiu, a folga obtida no primeiro trimestre do ano será suficiente para cobrir uma eventual insuficiência de arrecadação. "Como não houve decisão da Justiça, ainda não sabemos ao certo se e quando vamos deixar de arrecadar", comentou.

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