Missão brasileira no Timor volta ao Brasil France PresseDOCE REGRESSOCabo que integrou força de paz da ONU com a mulher e as filhas: seis meses fora do Brasil e muita saudade Agência Estado De Brasília Depois de seis meses fora do País, os 51 integrantes da missão brasileira no Timor tiveram de esperar meia hora para abraçar seus familiares, no desembarque dos militares ontem na base aérea de Brasília. Enquanto uma multidão de parentes e amigos aguardava os rapazes com faixas e sorrisos, as formalidades do Exército os fizeram marchar em fileiras, cantar o hino nacional e ouvir os discursos das autoridades presentes. Ao fim da solenidade, os militares abandonaram a pose e viraram homens emocionados. A corda que os separava dos familiares se soltou, e os abraços nos filhos, pais, amigos e esposas os fizeram chorar, sorrir e sanar parte da saudade de casa. ‘‘Vocês vão me matar de emoção’’, disse o soldado Sidnei Aparecido Rosa, ao abraçar cada um da comitiva de 12 pessoas que o esperava. A tropa, que integrou a força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), desceu do avião da Força Aérea Brasileira (FAB) empunhando uma bandeira nacional, com ares de heróis. A missão brasileira no Timor Leste saiu de Brasília no dia 20 de setembro do ano passado rumo a Darwin, Austrália, onde ficou por dez dias em treinamento e processo de adaptação climática. No dia 3 de outubro, chegou a Díli, Timor Leste, com a atribuição de controlar distúrbios, proteger instalações, organizar o trânsito, fazer escolta de comboios, realizar perícias médicas e fazer investigações criminais. Segundo o comandante do contingente brasileiro, major Fernando do Carmo Fernandes, não houve troca de tiros envolvendo a tropa brasileira durante toda a estada da missão fora do País. Ele lembrou que o fato de a tropa ser brasileira ajudou muito. ‘‘Somos um povo que não tem desavenças com nenhum outro, e isso foi de fundamental importância.’’ No dia 14, um dia antes da partida dessa missão, chegou a Díli a tropa brasileira substituta, com 78 homens. Segundo o capitão Leitão, ‘‘o alívio de estar voltando se mistura com o ciúme de passar adiante o equipamento, a viatura’’. As lições que aprenderam foram muitas. ‘‘A gente ficou indignado de ver até que ponto as pessoas podem chegar’’, declarou o major Fernando, se referindo aos estragos promovidos no Timor Leste. ‘‘Eu vi um país em que não sobrou nada. Tivemos que ajudar a reconstruir tudo o que foi destruído em nome da intolerância’’, declarou o major, ressaltando a importância do trabalho em conjunto da missão.