Missa lembra chacina de 93
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Agência Estado Rio 
Tasso Marcelo/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Lado a ladoPolicial militar com panelas na mão, durante concentração de policiais civis na Candelária. O protesto coincidiu com ato público de 600 crianças que foram ao centro do Rio lembrar os quatro anos de assassinato de oito meninos de rua. A categoria fez passeata pela Avenida Rio Branco até a Assembléia Legislativa, em manifestação por melhores saláriosPelo menos 600 crianças compareceram ontem pela manhã à missa realizada na Igreja Nossa da Candelária, centro do Rio, em frente a qual, há quatro anos, foram assassinados oito meninos de rua. Após a missa em memória das vítimas da Candelária, celebrada pelo bispo-auxiliar do Rio dom José Carlos Ávila, entidades de direitos humanos realizaram um ato público exatamente no mesmo lugar da chacina. O ato coincidiu com o início da concentração de policiais civis e militares para a passeata por melhores salários. E são exatamente PMs os acusados pela chacina da Candelária. Não houve confusão.As entidades entregaram aos juízes de infância e adolescência do Rio, Siro Darlan e Geraldo Prado, um abaixo assinado com 12 mil assinaturas de pessoas contrárias ao projeto que tramita no Congresso Nacional contra a redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos.
France PressNo início do ato, um grupo de crianças descerrou a cruz com o nome dos meninos mortos exatamente no local em que ocorreu a chacina, em frente à Igreja da Candelária. Houve apresentação de jogral e teatro. No final, foram mencionados os nomes dos meninos mortos e, em cada menção, um menino caia no chão, representando a morte e o sofrimento.
Ivone Bezerra de Mello, que cuidava das crianças da Candelária, não compareceu à missa porque está no Japão. Cristina Leonardo, do Centro Brasileiro dos Direitos da Criança e Adolescente, que também atua no processo, não foi ao ato. Essas entidades não nos deram o menor apoio na Justiça, reclamou. Para o secretário-executivo do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), Ivanir dos Santos, é um absurdo essa briga para se saber de quem são os cadáveres.


