Missa em homenagem a Zilda Arns
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Igreja lotada e um discurso patriótico do arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, marcaram a missa de sétimo dia pela morte da pediatra Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, realizada ao meio-dia de ontem, na Catedral Metropolitana de Londrina. Celebrada em comunhão com padres convidados de dioceses do interior do Paraná e do estado de São Paulo, e com a presença de voluntárias da Pastoral no altar, a missa enalteceu o trabalho da médica, que foi vítima do terremoto que abalou a capital do Haiti na semana passada.
Durante a celebração, um slide exibiu imagens de Zilda Arns em entrevistas e em meio às crianças que ela ajudou a salvar com a multimistura idealizada para erradicar a mortalidade infantil no mundo. ''A Pastoral da Criança nasceu fraca, pequenininha, em Florestópolis. E esta pequena semente venceu a mortalidade infantil, a desnutrição, a morte das mães e a pobreza e o mundo inteiro é testemunha do trabalho, que começou em Londrina, com o apoio de arcebispo Dom Geraldo Magela'', lembrou Dom Orlando Brandes, em seu sermão.
Ainda durante o discurso, ele pediu uma salva de palmas às voluntárias que diariamente conduzem as pastorais da criança e do idoso pelo Brasil. ''Se dona Zilda estivesse aqui, ela falaria dessas mulheres, que são mãos, pés e braços da pastoral, que tantas vidas já salvou'', completou o arcebispo.
Para Dom Orlando, Zilda Arns projetou o Brasil para o mundo: ''Ela acreditou na multimistura, no soro caseiro e nas mães pobres. Não é à toa que foi três vezes candidata ao Prêmio Nobel da Paz'', reforçou.
Coordenadora da Pastoral do Idoso de Londrina quando esta foi criada há mais de 15 anos, a costureira Rosemeire Serafim trabalha, hoje, na capacitação de voluntários para a prepação da multimistura, além de formar líderes da Pastoral da Criança de Londrina. Para ela, mesmo sem o apoio da fundadora, as pastorais ''precisam arregaçar as mangas mais do que nunca, já que a doutora Zilda preparou a caminhada antes mesmo de morrer.''
E foi a paixão pela proposta da pediatra que fez Rosemeire se entregar ao voluntariado. ''Basta sentir no coração a vontade e o resto é entrega. Desde que tenha amor e dedicação, um pouquinho de tempo já é suficiente para fazer a diferença'', ensinou a voluntária, que melhorou a vida financeira e a saúde depois que começou a participar da Pastoral: ''No voluntariado só se ganha, principalmente alegria e satisfação''.
A Arquidiocese do Rio também homenageou Zilda Arns. Cerca de 200 pessoas acompanharam a missa celebrada pelo arcebispo Dom Orani Tempesta, na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no centro da cidade.


