Londrina - Foi realizada ontem, na Capela Nossa Senhora da Esperança, no Jardim Champagnat, Zona Oeste de Londrina, a missa anual de ação de graças dos servidores do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Diferente dos últimos dez anos, quando o culto era realizado nas dependências da universidade, este ano, os organizadores preferiram confraternizar fora do campus, já que a universidade está proibida pela Justiça de receber manifestações religiosas.
A reitora da UEL, Nádina Aparecida Moreno, disse que, em 2009, a universidade foi notificada pela Procuradoria Geral da República após denúncia de um docente do departamento de História. O professor teria questionado atos isolados em que a instituição teria usado a máquina pública para promoção de eventos religiosos.
Nádina explicou que o culto acontecia em espaço aberto, o que não impossibilitava a realização neste ano. ''A UEL não pode ceder uma sala ou a capela, mas do lado de fora não existe nada que impeça isso.''
Para evitar conflitos, os organizadores resolveram realizar a missa na capela onde dom Albano Cavallin, arcebispo emérito de Londrina, atua. Ele participa desde a primeira edição. ''Não quisemos confrontar nossos amigos ateus, então decidimos vir para a capela'', declarou Dom Albano.
''Um Estado secular ou laico é uma nação oficialmente neutra em questões religiosas, não apoiando sem se opondo a nenhuma religião'', detalhou o arcebispo, reiterando que o estado laico deve garantir e proteger a liberdade religiosa.
''Os ateus iniciaram uma 'guerrilha' no espaço sagrado da UEL, confundindo o significado de laicidade, partindo da ideologia ateia. Por isso precisamos dar um grito em defesa dos direitos humanos'', completou o arcebispo, reforçando que se a situação se resolver até o próximo ano, a missa poderá voltar ao campus. (Colaborou Douglas Lopes)

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