Missa e protesto marcam seis anos da Candelária
Agência Estado
Do Rio
Uma manifestação lembrando a chacina da Candelária, em que oito crianças foram mortas em 23 de julho de 1993, e contra a impunidade reuniu ontem pela manhã ativistas de direitos humanos, religiosos e militantes na Igreja da Candelária, no Centro do Rio. De mãos dadas e rezando o Pai-Nosso, crianças, representantes de entidades e turistas deram um abraço simbólico na igreja, pelo cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Uma missa foi rezada na Candelária em memória das vítimas da chacina. Crianças entraram na igreja com cartazes pedindo justiça. Do lado de fora, grupos de capoeira se apresentavam e flores brancas eram depositadas sob o cruzeiro onde está gravado o nome dos oito meninos mortos. Seis deles dormiam sob marquises quando foram assassinados à queima-roupa, na madrugada de 23 de julho. Outros dois meninos foram executados no Aterro do Flamengo, perto do Museu de Arte Moderna. O único sobrevivente da chacina é Vagner dos Santos, que vive na Suíça.
Vivemos a cultura da impunidade do adulto que corrompe, violenta ou mata a criança, afirmou o juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude do Rio, Siro Darlan. Para o juiz, isso ocorre por causa do corporativismo dos adultos. A chacina foi um símbolo da violência contra a criança, mas candelárias acontecem todos os dias, disse Darlan. Cerca de 4,5 crianças morrem por dia no Estado (dados de 1995), segundo o juiz.
A Justiça condenou pelos crimes o policial militar Marcus Vinícius Borges Emmanuel a 309 anos de prisão pelas mortes, mas a pena foi reduzida para 89 anos. Os PMs Nelson Oliveira Cunha e Marco Aurélio Alcântara também foram condenados, mas recorreram. O serralheiro Jurandir Gomes, o tenente da PM Marcelo Ferreira Cortes e o soldado Cláudio dos Santos foram absolvidos.





