São Paulo, 02 (AE) - A missa que reuniu hoje, em São Paulo, o padre Marcelo Rossi e o cantor Roberto Carlos, no Dia de Finados, é o maior evento católico ocorrido no Brasil depois das duas visitas do papa João Paulo II: 600 mil pessoas participaram. "Somos uma centelha do que foi a visita do santo padre", disse o bispo D. Fernando Figueiredo, que celebrou a cerimônia, ao ressaltar que a intenção é atrair cada vez mais católicos para as igrejas.
O término da missa teve de ser antecipado em uma hora (às 11 horas) para não colocar em risco a segurança das pessoas. "Quando a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) nos informou que já havíamos chegado em 500 mil pessoas, decidimos terminar a missa", disse o padre Marcelo. Por volta das 10 horas, ele começou a pedir pela televisão, em cadeia nacional, que as pessoas não viessem mais para a missa, transmitida ao vivo pele Rede Globo. "Isso nunca me aconteceu antes, mas estou pedindo: acompanhem a missa pela televisão, aqui não tem mais lugar". De acordo com a CET, havia 1.470 ônibus fretados.
O recorde de público do padre Marcelo foi no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 12 de outubro, com 162 mil pessoas. "Estamos pensando em fazer a próxima missa grande no Autódromo de Interlagos", antecipou D. Fernando. Para garantir a segurança, 300 policiais ajudavam os 1,5 mil voluntários do santuário, responsáveis pela organização.
Para garantir um lugar onde fosse possível acompanhar de perto a missa - que também contou com a participação de Agnaldo Raiol, Sérgio Reis, Xitãozinho e Xororó e Sandy e Júnior - centenas de pessoas passaram a noite na porta do santuário. "Vim para agradecer a Deus porque estava aleijada e agora estou curada", disse a dona-de-casa Maria Aparecida de Souza, que chegou à meia-noite de segunda-feira no local da missa. "Fui curada pelo padre Marcelo", completa.
Mães de crianças portadoras de deficiência física ou mental também chegaram cedo para guardar lugar. Josilene Maria dos Santos, de 35 anos, pediu passagem para a multidão, carregando nos braços o filho Walmir dos Santos Cavalcante, de 9 anos, que sofre de encefalite - é paraplégico, não fala e não tem sequer cadeira de rodas. "Queria que ele assistisse a missa", explica a mãe, que acabou conseguindo um lugar perto do palco.
A cerimônia começou pontualmente às 8 horas. Por volta das 7h30, padre Marcelo começou a "aquecer" a multidão: pediu que as pessoas se apresentassem aos vizinhos dos lados e de trás. "Agora vocês já se conhecem e não vão se empurrar", pediu.
De acordo com a coordenação, não houve ocorrências médicas graves. O ambulatório registrou 700 pessoas atendidas, mas a equipe médica estima que pelo menos mil pessoas tenham passado mal. A maioria das pessoas que desmaiou estava mal alimentada e hidratada. Uma ambulância removeu uma mulher em trabalho de parto.
Roberto Carlos cantou músicas consagradas, como "Nossa Senhora". Até o clima contribuiu com o show: enquanto Roberto cantava a canção "Jesus Cristo" (...essa luz, só pode ser Jesus), o sol apareceu pela primeira vez. "Estou muito emocionado", disse o cantor ao deixar o palco acompanhado por uma equipe de aproximadamente 20 pessoas. Todos rezaram pela saúde de sua mulher, Maria Rita, que está com câncer.
D. Fernando concedeu a indulgência plenária (o perdão dos pecados dos presentes), uma benção feita com autorização do papa João Paulo II. Foram distribuídas 70 mil hóstias. Todos os artistas cantaram músicas cristãs e as pessoas, agrupadas em forma de cruz, estenderam lenços brancos para saudar a vida. D. Fernando, citando Santo Agostinho, disse que no Dia de Finados, deve-se sentir saudade, mas não tristeza. "Um coração que ama a Deus não pode ser triste", disse.
Enquanto corria a missa, camelôs ofereciam churrasquinho
terços e lembranças do padre Marcelo a R$ 1,00. Comerciantes cobravam R$ 0,50 pela utilização dos banheiros. Apesar do preço, muita gente esperou na fila durante duas horas.

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