Gabriela Athias
Agência Estado
De São Paulo
A missa que reuniu ontem, em São Paulo, o padre Marcelo Rossi e o cantor Roberto Carlos, no Dia de Finados, é o maior evento católico ocorrido no Brasil depois das duas visitas do papa João Paulo II: 600 mil pessoas participaram. ‘‘Somos uma centelha do que foi a visita do santo padre’’, disse o bispo D. Fernando Figueiredo, que celebrou a cerimônia.
O término da missa teve de ser antecipado em uma hora (às 11 horas) para não colocar em risco a segurança das pessoas. Por volta das 10 horas, padre Marcelo começou a pedir pela televisão que as pessoas não viessem mais para a missa, transmitida ao vivo pele Rede Globo. ‘‘Isso nunca me aconteceu antes, mas estou pedindo: acompanhem a missa pela televisão, aqui não tem mais lugar’’. De acordo com a CET, havia 1.470 ônibus fretados.
O recorde de público do padre Marcelo foi no estádio do Maracanã, no Rio, em 12 de outubro, com 162 mil pessoas. Para garantir a segurança, 300 policiais ajudavam os 1,5 mil voluntários do santuário, responsáveis pela organização.
Para garantir um lugar onde fosse possível acompanhar de perto a missa – que também contou com a participação de Agnaldo Raiol, Sérgio Reis, Chitãozinho e Xororó e Sandy e Júnior – centenas de pessoas passaram a noite na porta do santuário. ‘‘Vim para agradecer a Deus porque estava aleijada e agora estou curada’’, disse a dona de casa Maria Aparecida de Souza, que chegou à meia-noite de segunda-feira no local da missa. ‘‘Fui curada pelo padre Marcelo.’’
Mães de crianças portadoras de deficiência física ou mental também chegaram cedo para guardar lugar. Josilene Maria dos Santos, de 35 anos, pediu passagem para a multidão, carregando nos braços o filho Walmir dos Santos Cavalcante, de 9 anos, que sofre de encefalite.
A cerimônia começou pontualmente às 8 horas. Por volta das 7h30, padre Marcelo começou a ‘‘aquecer’’ a multidão: pediu que as pessoas se apresentassem aos vizinhos dos lados e de trás. ‘‘Agora vocês já se conhecem e não vão se empurrar’’, pediu. De acordo com a coordenação, não houve ocorrências médicas graves. O ambulatório registrou 700 atendimentos. A maioria das pessoas que desmaiou estava mal alimentada e desidratada. Uma ambulância removeu uma mulher em trabalho de parto.
Roberto Carlos cantou músicas consagradas, como ‘‘Nossa Senhora’’. Até o clima contribuiu com o show: enquanto Roberto cantava a canção ‘‘Jesus Cristo’’, o sol apareceu pela primeira vez.
D. Fernando concedeu a indulgência plenária (o perdão dos pecados dos presentes), uma bênção feita com autorização do papa João Paulo II. Foram distribuídas 70 mil hóstias. Todos os artistas cantaram músicas cristãs e as pessoas, agrupadas em forma de cruz, estenderam lenços brancos para saudar a vida. D. Fernando, citando Santo Agostinho, disse que no Dia de Finados, deve-se sentir saudade, mas não tristeza. ‘‘Um coração que ama a Deus não pode ser triste’’, disse.

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