Nova York, 14 (AE-ANSA) - O concurso de Miss América se adapta aos novos tempos e ingressa no terceiro milênio com uma autêntica revolução. Por décadas, a Miss América representou o ícone da beleza, postura, moralidade e inocência nos Estados Unidos. A partir do ano 2000, o concurso passará a admitir candidatas divorciadas e mesmo aquelas que já se submeteram a um aborto no passado. A decisão foi recebida com aplausos por parte das femininas, mas provocou enorme polêmica em outros setores. "Esse é outro deprimente sinal dos tempos. A Miss América transformou-se numa mulher de vida fácil", comentou o colunista Rod Dreher, do The New York Post. "Fiquei chocada quando eu ouvi a notícia", disse Leanza Cornett, Miss América 1993. "A Miss América tem um longo histórico de padrão de elevada moralidade e eu me oponho a qualquer mudança nessa questão", disse Libby Taylor, diretora executiva do concurso Miss Kentucky e presidenta da Associação Nacional dos Concursos Estaduais Miss América. Os concursos estaduais entraram na justiça contra a mudança e a Organização da Miss América concordou em não alterar as regras para o concurso deste ano - cuja nova rainha da beleza será escolhida neste sábado em Atlantic City, Nova Jersey. No entanto
a mudança passará a valer a partir do ano 2000. "A mudança será aceitável para a sociedade de hoje, porém, nada pode afirmar que uma gravidez não desejada, que termina em aborto, é um ideal", afirmou Leonard Horn, que durante 30 anos, até 1998, foi o presidente da organização do concurso. A medida também foi aprovada por uma das juradas. Para a psiquiatra Joyce Brothers, "em 1999 deixou de ser racional esperar que uma mulher seja virgem depois de determinada idade". Em consequência disso, "as novas regras constituem um avanço do novo milênio". A revolução no Miss América foi provocada pelas leis antidiscriminação de Nova Jersey, o estado onde se realiza a final do concurso. Durante os anos 50, as aspirantes à rainha tinham de jurar que jamais foram casadas e que nunca haviam engravidado. As novas regras exigem as candidatas que assinem um termo sobre as condições no presente: "Não estou casada, não estou grávida e não tenho filhos, nem naturais nem adotivos". "O conselho de administração decidiu que era uma modificação que se adequava ao tempos atuais", declarou Robert Beck, o novo presidente da organização.

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