Rio- A miséria no País caiu 27,7% no primeiro mandato do Governo Lula, porcentual que supera o recuo de 24,3% registrado em todo o governo Fernando Henrique. Os dados são de levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Apenas em 2006, 5,9 milhões de pessoas deixaram de ser miseráveis, uma redução de 15% ante 2006, a maior desde 1987. O estudo também conclui que, desde 1982, as políticas de renda no País acompanham o calendário eleitoral: favorecem a população no ano da campanha e penalizam no seguinte.
A fatia da população que vive em situação de miséria, que era de 35,16% em 1992, recuou dos 22,77% em 2005 para 19,31% no ano passado. O cálculo da redução da desigualdade na era FHC levou em conta o período de 1993 a 2002, apesar de ter sido eleito em 1994, porque não houve Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (Pnad) neste ano e porque Fernando Henrique foi o mentor do Plano Real. O levantamento considera em miséria os que vivem com renda per capita familiar inferior a R$ 125,00 ao mês, que, em 2006, somavam 36 milhões de pessoas em todo o País.
Na avaliação do coordenador do trabalho, Marcelo Neri, o início do Real e o ano de 2006 são marcos na redução da miséria no País. ''Os dois (Fernando Henrique e Lula) vão ficar para a história como redutores da pobreza'', comenta o economista, citando que parte dos ganhos atuais são possíveis a partir da estabilização da economia e investimentos em educação na década passada. Os dados mostram que a queda da miséria no primeiro mandato de FHC (1993 a 1998) foi de 23% e de 1,7% no segundo (de 1998 a 2002).
O levantamento também revela que nos anos eleitorais a pobreza caiu, em média, 7,6%, e subiu 3,7% no ano seguinte. ''No Brasil, isso evoluiu em sintonia com o calendário eleitoral. Entregam-se boas notícias antes das eleições'', diz ele. Nei cita que o Plano Real foi a boa notícia de 1994, assim como o reajuste de 16% do salário mínimo e a expansão do Bolsa Família foram os dados favoráveis de 2006. ''Há uma evidência clara, não é de Lula ou Fernando Henrique, mas de todos na nova democracia brasileira'', afirma.
Os principais motivos para redução da miséria no País tem sido, além da melhoria do mercado de trabalho, programas sociais como o Bolsa Família e os ganhos reais dos salários mínimos. Neri defende a expansão do Bolsa Família, que ele chama de um ''Bolsa Escola 2.0'' (programa do Governo FHC), mas critica o uso do salário mínimo como indutor da redução de desigualdades.

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