Minoritários ameçam processar Telefónica na Espanha, EUA e outros países
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 29 (AE) - A Telefónica, a maior companhia privada da Espanha e uma das principais operadoras na América Latina, vai terminar o ano como a empresa que mais processos enfrentou e a que mais vezes apareceu (negativamente) nas páginas da imprensa espanhola. Faltando apenas dois dias para a virada do milênio, a Telefónica está sendo ameaçada pela Templeton (um dos maiores fundos de investimento norte-americano) por causa de uma operação aparentemente irregular no Chile.
De acordo com o "El País", o mais importante da imprensa espanhola e um dos mais influentes na Europa, a relação da companhia com seus sócios minoritários na América Latina - bastante satisfatórias até o início deste ano - começou a mudar quando a recessão econômica na região fez sentir seus efeitos e as autoridades dos órgãos de regulamentação forçaram uma redução nas tarifas. Para compensar o efeito dessas reduções nos resultados da Telefónica, o presidente da companhia, Juan Villalonga, decidiu, então, separar os ativos com mais prespecticvas de crescimento.
Foi o que ocorreu com a Terra, portal da Telefónica na Internet. A entrada da Terra em cena, no dia 17 de novembro, foi
de alguma forma, espetacular, com valorização de quase 250% das ações no dia em que começou a ser cotada na Bolsa de Madri. Mas essa euforia no mercado contrastou com a rebelião dos sócios minoritários da Terra, entre eles fundos de pensão e fundos de investimento, como o Templeton, que ameaçou processar a Telefónica em Madri e em Nova York por uma operação irregular com os acionistas minoritários no Chile.
De acordo com o "El País", a CTC Chile, subsidiária da Telefónica no Chile, anunciou, no início de outubro, a venda e sua carteira de 74 mil clientes de sua divisão de Internet (TelefónicaNet) à Terra por US$ 48 milhões. Essa operação supunha, naquele dia, uma valorização de US$ 649 por cliente.
No entanto, quando a Terra - com uma carteira de quase 861 mil clientes - saiu à oferta pública seu valor de mercado chegou a US$ 13,64 bilhões. Isso significou uma valorização de US$ 15 48 mil por cliente ou 24 vezes o preço por cliente pago à CTC Chile. Isto é, os acionistas minoritário da CTC perderam, ao todo, US$ 1,124 bilhão nessa operação, comandada pela Telefónica. "Em consequêcia dessa transção, cada acionista da CTC Chile perdeu US$ 1,17 por ação", argumenta o Templeton Emerging Markets Fund, que tem investimentos de cerca de US$ 500 milhões nas subsidiárias da Telefónica na América Latina.
Embora esses cálculos não sejam tão simples, o Templeton exige US$ 1,124 bilhão de compensação para os acionistas minoritários da CTC Chile. Fontes consultadas pelo jornal espanhol afirmam que a estratégia da Telefónica em relação aos minoritários está entre o "limite do legal e o ilegal", mas lembram que a direção da CTC Chile aprovou a operação de venda da TelefónicaNet à Terra. A aprovação teve, no entanto, dois votos em contra, que correspondiam justamente ao dos representantes dos fundos de pensão e de investimentos.
A Templeton argumenta ainda que a Telefónica sabia, previamente, o valor real da TelefónicaNet, mas, deliberadamente
não informou aos acionistas minoritários nem aos membros independentes do conselho de adimistração da CTC. "Terra representa hoje 10% do valor total da Telefónica. A capitalização de mercado da Terra em Nova York é de 10%.
As ações da Telefónica subiram de forma espetacular, as da CTC caíram. Isso, de alguma foma, representa cerca de US$ 1 bilhão. Ou seja, o que os acionistas minoritários da CTC Chile perderam com essa operação chega a US$ 2 bilhões", argumenta o Templeton, que pretende processar a companhia espanhola em vários países, e não só na Espanha e nos Estados Unidos.
"O montante de dinheiro que reivindicamos deixaria zonzo qualquer juiz, por isso vamos ter de agir, principalmente, em Madri, onde estão os responsáveis da Telefónica", disse ao "El País" Mark Mobius, presidente da Templeton Emerging Markets. Mobius acredita que a melhor solução seria um intercâmbio de ações, caso haja algum acordo. Esse intercâmbio seria por ações da CTC Chile, Telefônica (ex-Telesp) e de outras subsidiárias da Telefónica na América Latina.


