Minoritário do Santander quer barrar entrada em leilão do Banespa
Minoritário do Santander quer barrar entrada em leilão do Banespa15/Mar, 15:38 Por Márcio Anaya São Paulo, 15 (AE) - Dois grandes grupos de acionistas minoritários do Banco Santander Noroeste, que julgam ter sido desrespeitados pelo controlador Santander Brasil, estão convocando outros investidores para uma assembléia na próxima segunda-feira para discutir desde os processos de desvio de ativos no Noroeste, de maio de 95 a janeiro de 98, até a relação de troca de ações com o Santander Brasil, por conta da incorporação do Noroeste. As conclusões tiradas a partir da reunião serão encaminhadas ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Na medida do possível, tentaremos barrar a pré-qualificação do Santander Brasil no leilão de privatização do Banespa", afirmou Oswaldo Meyer Fleury, liquidante da Companhia Internacional de Seguros (CIS). "Se eles (Santander) não respeitaram os minoritários do Noroeste, podem muito bem fazer o mesmo com os do Banespa." A CIS, de propriedade do investidor Naji Nahas, era o maior acionista minoritário do Noroeste, com 10,38% do capital total, antes da aquisição do banco pelo Santander, em março de 98. Após um aumento de capital do Noroeste e a incorporação pelo Santander, em junho passado, a participação da CIS caiu para 2 70%. Fleury afirmou que os dividendos recebidos pela CIS, antes da aquisição do Noroeste pelo Santander, representavam uma importante fonte de recursos para o andamento da liquidação da empresa e pagamento de credores. Segundo ele, a companhia chegou a receber quase R$ 2 milhões em dividendos, em 97. Além da CIS, a assembléia do dia 20 contará com um grupo que detém atualmente perto de 3% do capital do Santander Noroeste. O Santander Brasil não se pronunciou sobre o assunto. Lucros cessantes - Segundo os minoritários do Santander Noroeste, as irregularidades no banco começaram no período entre 1995 e 1998. Eles afirmaram que nesse período houve o desvio de aproximadamente US$ 242 milhões para paraísos fiscais como Ilhas Cayman e Suíça. A descoberta do rombo fez com que o preço pactuado para a aquisição do Noroeste pelo Santander, inicialmente em US$ 500 milhões, fosse reduzido exatamente para US$ 242 milhões. Os acionistas disseram que restou em posse dos antigos controladores (famílias Cochrane e Simonsen) a importância de US$ 120 milhões, que foi destinada à liquidação de eventuais contingências a serem apuradas posteriormente à transferência do controle. Na opinião dos minoritários, o valor de US$ 242 milhões que entrou no caixa do Noroeste não ressarciu os investidores dos desvios de recursos, restando ainda uma indenização por conta dos "lucros cessantes". De acordo com os acionistas, o reembolso aproxima-se de US$ 120 milhões, tomando como base a taxa de rentabilidade do Santander Noroeste calculada sobre o patrimônio líquido da instituição (50,1%) no período de 95 a 98. Somando-se o valor dos lucro cessantes, de US$ 120 milhões, à reserva para contingências, também de US$ 120 milhões, chega-se a R$ 288 milhões, segundo a taxa de câmbio utilizada pelos minoritários. Eles entendem que esse deveria ser o valor a ser reintegrado ao patrimônio do Santander Noroeste. O montante aproxima-se do aumento de capital de R$ 293 milhões que o banco realizou em setembro de 98, para que se adequar às normas do Banco Central, após o lançamento de R$ 191 350 milhões na conta "operações de crédito de liquidação duvidosa". Tal lançamento excedeu os limites legais em relação à situação patrimonial. Em função dos lucros cessantes e da reserva de contingências, os minoritários acreditam que o aumento de capital foi "absolutamente desnecessário". Oferta - Os minoritários do Santander Noroeste reiteraram que não vão aceitar a oferta do Santander Brasil por suas ações, em razão da incorporação do banco. O prazo para exercício do direito de dissidência termina no próximo dia 23. O grupo contesta o reembolso pelo valor patrimonial, de R$ 1,10 por ação. Segundo o laudo feito pela KPMG Corporate Finance para o próprio Santander, o valor econômico dos papéis seria de R$ 2 42 por ação. O registro de companhia aberta do Santander Noroeste foi cancelado em novembro de 99. Até então, a última cotação em Bolsa foi de R$ 1,30 por ação. Os acionistas afirmaram que não havia "justificativa econômica" para a incorporação do Noroeste, uma vez que a instituição tinha um crédito tributário de aproximadamente R$ 250 milhões. Com a incorporação, o valor não pôde ser aproveitado.





