Ministros negam pressão por fim de acordo com Ucrânia
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quinta-feira, 23 de julho de 2015
Danielle Villela<br> Agência Estado 
Rio - A suspensão da parceria com a Ucrânia para a construção e lançamento de foguetes na base de Alcântara (MA) não teve motivações políticas ou diplomáticas, disseram ontem os ministros da Defesa, Jaques Wagner, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo. Em visita à Base Naval da Ilha de Mocanguê, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, Wagner negou que tenha havido pressão da Rússia para o encerramento do acordo de cooperação.
"Não tem nada a ver com o processo de briga de fronteira entre Rússia e Ucrânia. (O rompimento) foi decidido antes. Eventualmente o conflito agravaria porque eles têm muita tecnologia compartilhada", disse ele após a apresentação do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira pela Marinha.
Wagner afirmou que o grupo de trabalho formado pelos ministérios da Defesa e de Ciência e Tecnologia e pela Agência Aeroespacial Brasileira (AEB) já identificara falhas no projeto e concluído pela suspensão do acordo desde 2014. "O rompimento foi muito mais em cima de perceber que ele (o acordo) não prosperaria como a gente esperava", disse.
Também presente à cerimônia, Aldo Rebelo afirmou que a suspensão do acordo se deu por questões comerciais. "Para competir, você tinha que ter preço, o seu foguete tinha que ser o suficientemente competitivo para os países optarem por fazer o lançamento nessa base. Isso estava tornando (o projeto) inviável comercialmente." Segundo ele, houve tentativas por parte do governo brasileiro de rediscutir e mudar o acordo com a Ucrânia, sem sucesso.
Acordada em 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a parceria previa que a Ucrânia produziria o foguete, enquanto os custos da reconstrução da base seriam divididos entre os países. Estima-se que a suspensão implicará em prejuízo de R$ 1 bilhão, valor gasto por Brasil e Ucrânia.
"As obras para essa finalidade perderam sentido, mas a estrutura que foi erguida, embora ainda não tenha sido completada, pode ser destinada para outra finalidade. Não é porque não vamos lançar esse projeto com a Ucrânia que o Brasil vai deixar de perseguir a meta de lançar satélites da base de Alcântara", afirmou Rebelo.


