Brasília, 23 (AE) - A instalação da comissão especial que vai apreciar a reforma tributária reuniu cerca de 300 pessoas, entre elas ministros de Estado - o das Comunicações, Pimenta da Veiga, articulador político do governo; o dos Transportes, Eliseu Padilha -, o governdor de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e outros integrantes de representações dos entes federativos municipais e estaduais, que vieram marcar presença para pressionar o Congresso e o Executivo para que a reforma seja concretizada. "Vamos fazer uma vigilância democrática e efetiva nos trabalhos dos parlamentares", afirmou o presidente da Associação Nacional dos Municípios, Paulo Zilcosky. "Tem de ser revista essa forma perversa em que a União abocanha 84% dos impostos e os municípios ficam com as migalhas", acrescentou.
Para o governador de Goiás, a intenção do governo de que a reforma tributária se efetive nessa legislatura estava "clara" com a presença do secretário-executivo do ministério da Fazenda, Pedro Parente. "O presidente tem o interesse em que seja feita uma reforma há muito tempo adiada por outras urgências", disse Marconi Perillo.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que veio à reunião da comissão "unicamente" para fazer pressão para que, depois da "festa" da instalação, que os parlamentares trabalhem com o fim de apressar o trâmite da reforma tributária. "Todos os sindicatos dos trabalhadores apóiam a reforma e estaremos fazendo pressão corpo-a-corpo", afirmou. O presidente da Câmara, Michel Temer (PSDB-SP), garantiu o credenciamento de representantes das centrais sindicais para acompanhar os debates na comissão.
Para o presidente da Fiat, Eduardo Eugênio, uma das provas que o governo e o Congresso "devem" estar interessados em levar à frente a reforma tributária é o fato de tantas entidades terem sido convidadas para o evento de abertura. "O governo não tem que temer perda de arrecadação já que haverá um fundo para a transição; caberá só ao governo administrar bem a gestão desse fundo", afirmou. "Mas se o governo está proporcionando o início das discussões na comissão é porque há interesse em levar o assunto à frente".

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