Montevidéu, 07 (AE) - O fracasso de Seattle, onde os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) pretendiam lançar uma nova rodada de negociações, mostrou que os processos regionais têm, pelo menos no momento, maior relevância do que o multilateralismo. Em busca do fortalecimento desse processo, os países do Mercosul deram hoje alguns passos, embora ainda tímidos, em direção da harmonização das políticas macroeconômicas do bloco.
Os ministros da Fazendo do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram hoje uma declaração que permite dar prioridade máxima às políticas nacionais e garantir o processo de estabilização econômica desses países. "Sem a estabilização não pode haver um Mercosul saudável no médio e longo prazos", afirmam os ministros no documento. Dentro dessas prioridades, os responsáveis pela condução de seus países afirmam que o processo de coordenação deve começar pela questão fiscal. Para isso, os ministros decidiram criar grupos de harmonização estatística nas áreas fiscal e monetário-financeira e nos setores externo e real. Os ministros recomendam que o trabalho desses grupos deve levar em conta padrões internacionais.
Sobre a responsabilidade fiscal, o documento, aprovado hoje pelo Conselho do Mercado Comum (CMC) , recomenda que o grupo identifique pontos de convergência nas práticas nacionais e nos textos legais existentes em cada país. "É necessário definir padrões mínimos que possam, no futuro, conduzir a um entendimento do Mercosul sobre a matéria", acrescenta o texto.
Outra meta definida pelos ministros se refere à política fiscal e à formulação das reformas estruturais necessárias para garantir o cumprimento dessas metas. De acordo com o documento, que será submetido amanhã (08) e aos presidentes dos quatros países membros do Mercosul, durante a reunião de cúpula, os ministros da Fazenda terão de levar, anualmente, aos encontros semestrais de trabalho as suas metas fiscais e de política econômica, com os quais estão individualmente comprometidos em seus npaíses.
"Nos encontros subsequentes, ao longo do ano, os ministros se comprometem a informar os passos seguidos para alcançar as metas e das perspectivas de seu cumprimeto", afirma o texto. Finalmente, os ministros pedem ao futuro grupo de trabalho que identifique outras áreas que poderão contribuir na consolidação do processo de estabilização econômica e a cooperação mútua. Neste caso, os ministros se referem, particularmente, ao fortalecimento dos sistemas financeiros e de supervisão bancária de cada país.
Os ministros da Feazenda do Mercosul decidiram ainda convidar o Chile e a Bolívia, hoje sócios parciais do bloco, para participar das discussões sobre coordenação macroeconômica. "Este é um passo decisivo em direção de nossa participação como membros plenos do Mercosul", saudou o ministro de Relações Exteriores do Chile, Juan Gabriel Valdés.

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