Ministros do Mercosul acertam cooperação
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sexta-feira, 20 de novembro de 1998
Sônia Cristina Silva Agência Estado 
Os ministros da Saúde do Mercosul assinaram ontem, em Brasília, oito acordos de cooperação para combater a dengue, o sarampo, pela redução das carências nutricionais e criação de sistemas comuns de acompanhamento de doenças. Eles preveêm campanhas de vacinação, inclusão de ferro em alimentos e uma relação comum de notificação de doenças, além de cooperação em casos de tragédias naturais.
São países vizinhos com problemas comuns e essa integração é fortalecedora, afirmou o ministro Serra, referindo-se aos colegas da Argentina, Uruguai, Paraguai e dos países associados ao Mercosul, Chile e Bolívia.
Um dos convênios , assinado pelo ministro José Serra, prevê investimento de R$ 3,5 milhões no próximo ano para tentar erradicar o sarampo no Brasil até o final do ano 2000. No ano passado o País teve 53 mil casos da doença contra menos de 1.900 em 98. Serra voltou a negar que os cortes na Saúde possam prejudicar os programas de controle de doenças .
O diretor do Centro Nacional de Epidemiologia, Jarbas Barbosa, disse que a erradicação do sarampo depende de ações rápidas para bloquear casos e evitar a reintrodução do vírus. O trabalho na fronteira entre os países deverá ser intensificado, até porque os vizinhos do Brasil têm o mesmo problema. A Argentina teve mais de seis mil casos, lembrou Barbosa. Além disso, todos devem fazer campanhas sistemáticas de vacinação, incluindo a população adulta em situação de risco, como os migrantes, trabalhadores do turismo, profissionais de saúde e educação.
Na reunião, Serra falou da preocupação brasileira com a dengue. Até setembro, foram registrados 478.493 casos da doença, contra 254.942 ocorridos no em 97. De acordo com o secretário nacional do Programa de Erradicação do Aedes Aegypti, Nilson Melo, a intenção é erradicar o mosquito transmissor em 10 anos. Entre recursos para ações de combate e contratação de pessoal, Melo diz ter enviado aos Estados e municípios mais de R$ 300 milhões este ano.Esperamos que, no próximo verão, haja um número menor de casos.
Atualmente, pelo menos 2.900 municípios brasileiros convivem com o mosquito, contra 2.700 no ano passado. Os ministros do Mercosul acertaram a criação de um sistema de troca de informações sobre a presença do Aedes aegypti e de surtos das doenças.
No combate às carências nutricionais, os ministros defendem padrões de fortificação de alimentos, como a inclusão de ferro na farinha de trigo ou no leite em pó para evitar a anemia. Os países deverão, ainda, ter uma lista comum de notificação de doenças, considerando a integração econômica entre os estados-membros do Mercosul. Os ministros fecharam acordo específico também para ajuda mútua em casos de tragédias naturais.


