Ministros de 9 países fazem balanço da educação nos últimos 10 anos
Recife, 30 (AE) - Os ministros de Educação dos nove países mais populosos do mundo e que concentram 70% do analfabetismo mundial se reúnem a partir de amanhã para avaliar o seu desempenho educacional em relação às metas propostas há dez anos na Conferência Educação para Todos (EFA-9), realizada na Tailândia. Os principais compromissos firmados na ocasião foram o combate vigoroso ao analfabetismo e a democratização do acesso ao ensino fundamental.
O encontro, no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes, com representantes do Brasil, Egito, Índia, Paquistão, China, Nigéria, México, Indonésia e Bangladesh, se encerra na quarta-feira e servirá como preparação para a Conferência Mundial sobre Educação para Todos (Efa-2000), que ocorrerá em abril, em Dakar, no Senegal, com a participação de mais de 150 países. Este fórum irá traçar metas educacionais para os próximos 15 anos.
Embora ainda detenha um alto índice de analfabetismo, o Brasil é o País em melhor situação entre os grupo dos 9, de acordo com o coordenador do escritório regional da Unesco em Pernambuco, Júlio Jacobo. Segundo dados do relatório do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a taxa de analfabetismo era de 20% em 1991, caindo para 14,7% - ou 15,5 milhões de pessoas - em 1996, entre a população com idade a partir dos 15 anos.
O relatório, que integra as ações desenvolvidas no Brasil pelo governo federal dentro do Plano Decenal elaborado em 1993 e que será executado até 2003, será apresentado pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Ele aponta que de 1994 a 1998 a taxa de escolarização das crianças de 7 a 14 anos subiu de 86% para 95,3%. O resultado alcançado já superou a meta prevista para 2003, que era de atingir 94% dessa população.
Embora o acesso à escola tenha melhorado, os índices de repetência e evasão escolar no Brasil ainda são altos. Com relação à repetência, o percentual de estudantes com mais de 14 anos no ensino fundamental aumentou de 16,3% em 1991 para 23,6% em 1998. Já o tempo médio de permanência nas escolas brasileiras - de seis anos - é mais baixo que em todos os países do Mercosul. Os alunos da Argentina, Uruguai e Paraguai passam cerca de 9 anos na escola.
O relatório também revela a redução das diferenças regionais, embora as regiões Norte e Nordeste ainda sejam detentoras dos piores indicadores nacionais. O ensino fundamental no Nordeste, por exemplo, cresceu 24% no período de 1994 a 1998, contra 12% no resto do País.
Para a presidente do Inep e coordenadora do Grupo Nacional de Avaliação Efa-2000, Maria Helena Guimarães de Castro
os desafios para a próxima década são muitos, mas o mais urgente, ao seu ver, é a necessidade de formação de professores. "Antes era preciso garantir o acesso das crianças à escola", diz. "Agora, isso só não basta, sendo necessário garantir a permanência e a qualidade de ensino".
Paralelamente ao encontro sobre educação mundial, cerca de 50 entidades governamentais e não-governamentais pernambucanas lançam amanhã a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, com o objetivo de promover o direito à educação básica e cobrar mais investimentos na área educacional pelos poderes públicos. O evento deve contar com a participação do educador e ex-governador do Distrito Federal, Cristóvão Buarque.





